FIJI — O governo anunciou a ampliação de testes, tratamento e acesso à PrEP, além de programas de distribuição de seringas e agulhas para pessoas que usam drogas injetáveis. As medidas foram adotadas após Fiji registrar 2.016 novos diagnósticos de HIV em 2025, 16 vezes mais que em 2019.
A profilaxia pré-exposição é indicada para pessoas que não têm HIV, mas apresentam risco aumentado de adquirir o vírus. Para o infectologista Marcelo Daher, o método pode reduzir novas infecções quando é usado corretamente e chega às populações que podem se beneficiar. “A PrEP tem uma ação de proteção muito grande. Mas ela tem que ser utilizada da maneira correta”, afirmou.
A UNAIDS informou que as novas infecções em Fiji cresceram 12 vezes entre 2010 e 2025. Nos casos em que o modo de transmissão foi identificado, mais da metade está ligada à transmissão sexual e mais de 42% ao uso de drogas injetáveis.
Daher afirma que não é possível apontar uma causa única sem considerar as características sociais e epidemiológicas do país. Exposição sexual, vulnerabilidade social e dificuldades para acessar prevenção e tratamento podem contribuir para o cenário.
A estimativa é de que uma em cada 60 pessoas adultas viva com HIV em Fiji. Cinco anos atrás, a proporção era de uma em cada 167. A UNAIDS calcula que cerca de 9.100 pessoas viviam com o vírus em 2025, mas apenas 39% conheciam a própria condição e 22% estavam em tratamento antirretroviral.
O diagnóstico precoce também é tratado como prioridade. Segundo Daher, pessoas que identificam a infecção e seguem o tratamento podem ter uma vida normal. “Quando a gente faz o teste e diagnostica mais precocemente, a gente evita que ele chegue numa fase de doença mesmo”, disse.
O tratamento adequado reduz o risco de evolução para a aids, além de complicações como infecções oportunistas. O avanço dos casos pode aumentar internações e mortalidade, segundo o infectologista, e também elevar o risco de transmissão vertical, da mãe para o filho.
Dados oficiais apontam que cerca de 2% das mulheres grávidas em Fiji vivem com HIV. Em 2025, 59 bebês nasceram com o vírus e 18 morreram antes de completar um ano. A UNAIDS também defendeu a expansão da prevenção e a redução das barreiras ao atendimento.









