O esquecimento deixa de ser um episódio comum quando passa a ocorrer com frequência, se repete e interfere na rotina e na qualidade de vida. Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento especializado, principalmente entre pessoas com idade a partir de 60 a 65 anos.
Em pessoas mais jovens, lapsos de memória costumam estar relacionados a estresse, ansiedade, alterações do sono ou distúrbios metabólicos e hormonais. O neurologista Iron Dangoni, do hospital Einstein em Goiânia, orienta que a avaliação não seja adiada quando as falhas começam a afetar a funcionalidade.
“Se interferiu na rotina, eu acho que já é o momento para procurar atendimento especializado”, afirmou o médico.
Sinais e diagnóstico precoce
Esquecer chaves ou perder objetos, isoladamente, não indica necessariamente um problema de saúde. A situação exige atenção quando episódios como esquecer comida no fogo, se perder ou enfrentar dificuldades para sair de casa e andar de carro passam a ocorrer de forma repetitiva e importante.
O diagnóstico precoce pode permitir o uso de terapias antiamiloide ativas no Brasil, como donanemabe e lecanemabe. Esses medicamentos são aprovados para a fase de comprometimento cognitivo leve, quando a funcionalidade ainda está preservada, ou para a fase de demência leve, com prejuízo funcional inicial.
Segundo Dangoni, os remédios não têm como objetivo recuperar a memória. A proposta é estabilizar a doença ou tornar sua evolução mais lenta. Em fases moderada ou avançada, o benefício da estabilização tende a ser menor, o que explica a chamada janela estreita para o tratamento.
Os medicamentos tradicionais, como os três inibidores de acetilcolinesterase disponíveis no mercado, elevam os níveis de acetilcolina e aliviam sintomas relacionados à memória. Já as terapias antiamiloide atuam na própria patologia do Alzheimer.
Exames e acompanhamento
A indicação dos anticorpos monoclonais depende de uma investigação individualizada. É necessário comprovar o acúmulo da proteína beta-amiloide por meio do exame PET amiloide ou da análise de biomarcadores no líquor. Também são exigidas uma ressonância magnética de crânio, para descartar sangramento ou doença vascular, e a avaliação genética da apolipoproteína E, conhecida como ApoE.
A presença do genótipo ApoE E4/E4 indica alto risco de complicações e contraindica o uso da medicação no Brasil. O processo inclui várias etapas antes da decisão terapêutica.
O donanemabe é aplicado uma vez por mês, com previsão de tratamento de até um ano e meio. O lecanemabe é administrado a cada 15 dias, duas vezes por mês, por tempo indeterminado. As infusões intravenosas ocorrem em ambiente hospitalar. Os dois tratamentos exigem uma ressonância de base e três exames adicionais para monitoramento.
Além dos medicamentos, são recomendados exercícios físicos, alimentação saudável, estímulo cognitivo, convívio social e controle de fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, colesterol, tabagismo e consumo de álcool. O neurologista afirma que o exercício físico é a medida com maior comprovação na prevenção do Alzheimer.
O suporte ao paciente e à família deve respeitar a autonomia e o direito de escolha de cada pessoa. Para Dangoni, a comunicação precisa ser individualizada, porque cada família lida de uma forma com o diagnóstico.
A doença de Alzheimer é degenerativa e acomete principalmente pessoas idosas. Entre as características citadas pelo neurologista estão alterações de memória, dificuldades de nomeação e desorientação espacial, com piora progressiva que pode levar a quadros demenciais.









