A manifestação de 7 de Setembro na Avenida Paulista foi usada pela campanha de Flávio Bolsonaro para medir a capacidade de mobilização do bolsonarismo e apresentar o candidato como sucessor político de Jair Bolsonaro. O ato também serviu para alimentar vídeos, fotografias, discursos e transmissões nas redes sociais.
O principal adversário apresentado durante a mobilização foi Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. O slogan “Fora Lula, fora Moraes” resumiu a estratégia de concentrar a disputa em dois personagens: Luiz Inácio Lula da Silva, associado à esquerda, e Moraes, identificado pela extrema direita como símbolo das decisões judiciais contra Jair Bolsonaro e seus aliados.
Flávio foi escolhido para representar a família na disputa presidencial de 2026. Como Jair Bolsonaro não pode ser candidato, o filho precisa demonstrar que o sobrenome continua capaz de mobilizar eleitores e converter a identidade bolsonarista em votos. A tarefa envolve reproduzir a força política do pai sem ter a mesma trajetória, personalidade e capacidade de convocação.
O ato também expôs diferenças dentro da direita. A presença de Tarcísio de Freitas mostrou a convivência entre uma corrente que mantém o confronto institucional como centro da mobilização e outra que busca uma alternativa eleitoral mais ampla, com menor grau de conflito.
Rua, redes e confronto
A campanha aposta em bandeiras brasileiras, camisetas verde e amarelas, discursos contra o governo Lula da Silva (PT) e críticas ao Supremo. A promessa de interferir na composição futura da Corte, feita por Flávio durante o ato, colocou o Judiciário no centro de sua estratégia política.
A manifestação foi tratada como uma etapa de uma campanha digital permanente. A multidão produz imagens; as redes ampliam a circulação. Por isso, o tamanho do público não é a única medida de resultado. Também importa saber se o evento criou a percepção de que Flávio pode liderar a direita.
Pesquisas recentes indicaram uma disputa mais competitiva entre Lula e Flávio. Levantamento da Veritá divulgado neste domingo, 6, apontou Flávio numericamente à frente no primeiro turno, com 38,9%, contra 38,4% de Lula, dentro da margem de erro.
O 7 de Setembro, porém, não resolve a principal questão eleitoral. A mobilização demonstra a permanência do bolsonarismo como identidade política, mas não garante a ampliação necessária para vencer a Presidência. Flávio precisa manter a base fiel e, ao mesmo tempo, alcançar eleitores além dos militantes mais engajados.
A data reúne símbolos nacionais, forte apelo visual e capacidade de gerar grandes atos e conteúdo digital. A aposta é transformar essa combinação em liderança, depois em voto e, por fim, em poder. O desafio é fazer o bolsonarismo sobreviver politicamente a Jair Bolsonaro.







