AQUILEIA — Três partes originais do Evangelho de Marcos serão exibidas juntas em Aquileia, no norte da Itália, pela primeira vez em aproximadamente sete séculos. Os fragmentos estão hoje em Cividale del Friuli, Veneza e Praga e foram reunidos para uma mostra sobre a trajetória do manuscrito na Europa.
A exposição, chamada “O Evangelho de Marcos: Sete Séculos, Três Fragmentos, Uma História Europeia”, ocupa o Palazzo Meizlik. Inaugurada em 12 de setembro, ela ficará aberta até 25 de abril de 2027.
Um manuscrito dividido
Conhecido como Codex Forojuliensis ou Evangeliário Forogiuliese, o documento foi produzido no século 6 e reunia os quatro Evangelhos do Novo Testamento. Hoje, preserva os textos de Mateus, Lucas e João, além de partes correspondentes ao começo e ao fim da obra. O conteúdo de Marcos foi separado do restante entre os séculos 12 e 13.
O manuscrito chegou a Aquileia por volta de meados do século 9, provavelmente durante o patriarcado de Teodemar, entre os anos 851 e 872. Depois disso, passou a ter papel relevante na tradição litúrgica da Igreja de Aquileia. Também foi tratado como relíquia, com a possibilidade, segundo a tradição daquele período, de ter sido escrito pelo próprio evangelista.
Em 1354, Carlos IV da Boêmia pediu ao patriarca de Aquileia algumas páginas do Evangelho de Marcos para a Catedral de Praga. As outras partes continuaram em Aquileia até a conquista do Patriarcado de Aquileia por Veneza. Em 24 de junho de 1420, o manuscrito foi levado para a Basílica de San Marco, em Veneza, em meio à incorporação de Aquileia aos domínios da República de Veneza.
A mostra aborda o documento como registro religioso, cultural e político. A proposta também é apresentar a circulação de livros e relíquias, o uso de objetos religiosos em disputas de poder e a formação da identidade de diferentes cidades europeias a partir dessas peças.
Com curadoria de Martina Dlabajová, Cristiano Tiussi e Luca Villa, a exposição é promovida pela Fundação Aquileia e reúne instituições italianas e tchecas em uma iniciativa de cooperação científica, cultural e diplomática.









