SÃO GONÇALO — O Hospital Estadual da Mãe, no bairro do Colubandê, tornou-se o principal alvo de uma denúncia de Daniel Soranz contra Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio. A unidade foi planejada em 2013, mas continua inacabada após mais de uma década, enquanto o Tribunal de Contas do Estado aponta o uso de mais de R$ 10 milhões em recursos públicos. Registros de empenho superam R$ 11 milhões.
A obra tinha orçamento inicial de R$ 37 milhões e previa mais de 10 mil consultas e 800 partos por mês, além de centro cirúrgico e UTI neonatal. Atualmente, a estrutura de três andares está tomada pelo mato. O levantamento do TCE-RJ também registra cerca de R$ 488 mil em multas e juros por atraso e aproximadamente R$ 357 mil referentes a um serviço de demolição.
Soranz, médico e ex-secretário municipal de Saúde do Rio, afirmou que Ruas não conseguiu concluir o hospital no município administrado pelo pai, o prefeito Capitão Nelson. A maternidade de Alcântara e a rede municipal permaneceram sobrecarregadas durante o período de paralisação, conforme a denúncia.
Obras, contratos e investigações
Ruas foi secretário municipal de Gestão Integrada de São Gonçalo e comandou a Secretaria Estadual de Cidades entre setembro de 2023 e março de 2026. Ele afirma ter executado R$ 2 bilhões em obras em 73 municípios. Levantamentos citados no caso apontam ainda R$ 2,3 bilhões direcionados a São Gonçalo, Itaboraí e Belford Roxo, além de R$ 250,5 milhões para São Gonçalo por meio do chamado orçamento secreto desde 2020.
O Ministério Público do Rio investiga a Saur Construções e a DM Invest. Ruas e o irmão, o vereador Nelsinho, são sócios da Saur. Também há um inquérito civil aberto em 2023 para apurar suspeitas de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas e Thiago Saraiva. A assessoria do candidato afirma que as empresas não têm contratos ou vínculos com órgãos públicos.
Auditoria da Controladoria-Geral do Estado apontou possíveis irregularidades na Secretaria de Cidades. Entre elas está um aditivo de 45,4% em contrato de pavimentação, que passou de R$ 99,6 milhões para R$ 144,9 milhões. O documento também registrou contratos de R$ 449,8 milhões ligados a um consórcio liderado pela FP Vieira Engenharia.
O deputado estadual Professor Josemar protocolou pedido de investigação no CAO Saúde sobre a paralisação do hospital. As apurações estão em andamento e não representam condenação. Ruas nega irregularidades. Soranz declarou que Eduardo Paes conseguiria concluir a obra em um ano caso fosse eleito governador.









