Rio de Janeiro, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
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Jornalismo da UFG chega aos 60 anos entre memória e novos desafios
Brasil

Jornalismo da UFG chega aos 60 anos entre memória e novos desafios

Curso mais antigo de Jornalismo de Goiás atravessou ditadura, mudanças no diploma, pandemia e a transformação digital da profissão.

O curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás (UFG), o mais antigo da área no estado, completa 60 anos nesta quarta-feira, 30. Criado durante a ditadura militar, o curso passou pela censura, pela Constituinte, pelo fim da exigência do diploma e pelas mudanças provocadas pela pandemia.

A graduação também se prepara para os desafios da inteligência artificial e da digitalização, enquanto mantém no centro da formação a responsabilidade na produção e na circulação de informações.

Da criação à formação multimidiática

A estruturação do curso começou em 1966, e o primeiro vestibular foi realizado em 1968. Solange Franco, atual coordenadora e formada em 1985, explica que o período inicial foi dedicado à criação do currículo, à busca por recursos e à contratação de professores.

Até o início dos anos 2000, a formação era voltada principalmente ao jornalismo impresso. Rádio e televisão eram tratados em formações separadas. Em 2004, o curso de Rádio foi extinto, e a graduação em Jornalismo passou a oferecer uma preparação mais ampla e multimidiática.

Rosana Maria Borges, formada em Radialismo em 1997 e primeira diretora da TV UFG, participou dessa transformação. A implantação do canal enfrentou dificuldades de infraestrutura e entraves burocráticos relacionados à legislação.

Censura, democracia e diploma

Para Solange, o período da ditadura aumentou a disposição dos estudantes e profissionais para enfrentar as restrições à circulação de ideias e denúncias. Ela afirma que o curso também ajudou na profissionalização da imprensa e no desenvolvimento dos veículos de comunicação em Goiás.

Nilton José dos Reis, o Niltin, aluno da terceira turma, avalia que parte dos problemas enfrentados pelo jornalismo no passado reaparece no presente. A relação entre a profissão, a sociedade e a democracia continua sendo um dos principais pontos de debate.

A professora Ângela Teixeira, formada em 1988, destaca que o jornalista deixou de ser o único provedor de informação em um ambiente digital ocupado também por pessoas sem formação e sem compromisso com o código profissional.

A exigência do diploma deixou de existir em 2009, mas, segundo Solange, os veículos continuam cobrando a formação na prática. Rosana defende que o jornalismo tem papel central no combate à desinformação e afirma que a discussão sobre o diploma voltou ao debate.

Mulheres e os próximos profissionais

Solange também aponta o crescimento da presença feminina nas redações. Na década de 80, o jornalismo ainda era muito masculino, embora as universidades já reunissem muitas mulheres. Para ela, a discriminação continua presente e afeta a percepção sobre conhecimento e credibilidade das profissionais.

Os calouros Gabriel Dias, Elias de Lima, João Pedro Onofre, Lara Geovana Ramos e Sammuel Conce representam a nova geração do curso. Cultura e política estão entre as áreas de interesse, com preferência também pelo rádio e pela televisão.

Lara, que veio de Mozarlândia, quer ampliar o acesso à comunicação em locais onde até o rádio enfrenta dificuldades. Gabriel se interessa pela capacidade de tornar assuntos complexos compreensíveis. João Pedro destaca o papel de ajudar diferentes vozes a serem ouvidas, enquanto Elias conta que se inspirou nas pessoas que via na televisão. Sammuel relatou o impacto da escolha em uma família ligada ao agronegócio, ao Direito e à Medicina.

Ângela recomenda que os estudantes invistam na formação e preservem a dimensão responsável da informação. Para Nilton, o futuro exigirá profissionais capazes de compreender e explicar contradições profundas da sociedade e do capitalismo desorganizado no Sul Global.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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