RIO DE JANEIRO — A Justiça realizará nesta sexta-feira (25), às 14h, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o leilão das ações da SAF do Vasco. A Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Faria Lamacchia, é a única interessada habilitada e deverá ser confirmada como compradora se cumprir as condições do edital.
A audiência será fechada e terá representantes do Vasco e das partes envolvidas no processo. Mesmo em caso de vitória da Almirante, Lamacchia não assumirá imediatamente o controle do futebol vascaíno.
Etapas após o leilão
A realização do leilão é necessária para concluir o processo de venda da SAF, ainda que exista apenas uma empresa habilitada. A Almirante recebeu a condição de stalking horse bidder, mecanismo usado em negociações de empresas em recuperação judicial.
A companhia apresentou uma oferta inicial, que servirá de referência para o valor da SAF, e poderá igualar eventuais propostas concorrentes. Depois da definição do comprador, o acordo ainda terá de ser analisado pelo Conselho Deliberativo do Vasco e pela Assembleia Geral Extraordinária, com participação dos sócios.
A operação também depende da conclusão de uma investigação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). O órgão avalia um possível conflito de interesses porque Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Não há prazo oficial para o encerramento de todas as etapas, embora exista expectativa de resposta rápida da agência.
Garantias financeiras
A Almirante depositou R$ 27 milhões nesta semana. O valor corresponde a dois anos de pagamentos previstos no plano de recuperação judicial do Vasco e busca garantir obrigações do período, especialmente créditos trabalhistas que vencerão durante a negociação.
A Justiça também aprovou, no início de setembro, um empréstimo de R$ 150 milhões da empresa ao clube, na modalidade DIP, voltada a companhias em recuperação judicial. O Vasco já utilizou R$ 65 milhões para pagar premiações ao elenco e parcelas do plano. Os R$ 85 milhões restantes seguem disponíveis, sem data definida para o repasse.
Disputas com a 777
Questionamentos judiciais ligados à antiga negociação com a 777 Partners chegaram a ameaçar o leilão. Empresas envolvidas naquela operação tentaram bloquear as ações do Vasco e impedir a disputa.
Em maio, a Matix Capital, consultora da venda de 2022, obteve uma decisão que condicionava uma nova transferência da SAF à sua autorização. A medida foi derrubada. Depois, o escritório Campos Mello cobrou R$ 740 mil da 777 Carioca e pediu a suspensão do leilão, mas desistiu da ação um dia depois.
Vasco e 777 também fizeram um acordo para encerrar a disputa judicial. A empresa estrangeira solicitou a retirada de um recurso que aguardava julgamento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A Almirante considera que a negociação tem condições jurídicas para avançar, mas continua acompanhando os processos relacionados à antiga gestão da SAF enquanto aguarda o leilão e as aprovações necessárias.








