Empresas ligadas ao deputado estadual Douglas Ruas (PL) movimentaram mais de R$ 15 milhões em aquisições de imóveis e precatórios entre 2023 e 2025, conforme escrituras e registros públicos. Os negócios foram feitos pela Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda. e pela Mical Invest e Participações, vinculada à esposa do parlamentar, Mariana Barbosa.
As operações começaram no início de 2023 e cresceram após setembro daquele ano, quando Ruas assumiu a Secretaria de Cidades no governo Cláudio Castro. O deputado detém 90% da Saur. A partir de 2024, parte das compras de precatórios passou a ser registrada em nome da Mical Invest.
Entre os ativos aparecem terrenos, imóveis comerciais e galpões industriais em São Gonçalo e Duque de Caxias, além de títulos judiciais. As escrituras mostram valores de avaliação, mas não registram, em todos os casos, quanto foi efetivamente pago. Precatórios são direitos de recebimento decorrentes de decisões judiciais contra o poder público e podem ser negociados por valores inferiores ao nominal.
Documentos da Junta Comercial registram lucro acumulado de R$ 19,6 milhões na Saur até novembro de 2025. O valor deverá ser distribuído aos sócios até 2028, com a maior parte destinada a Douglas Ruas. O montante supera os bens declarados pelo deputado nas eleições de 2022, avaliados em cerca de R$ 1,2 milhão.
A Saur não havia registrado aquisições imobiliárias entre sua criação, em 2011, e 2022. No período, Ruas atuou como policial civil e passou por cargos na Prefeitura de São Gonçalo.
Defesa do deputado
Em nota, Douglas Ruas disse que a Saur tem “sólida atuação no mercado de logística” e que começou a investir em imóveis e ativos financeiros a partir de 2023. Ele afirmou que as operações seguem práticas de mercado e foram influenciadas por mudanças regulatórias e decisões do Supremo Tribunal Federal.
O parlamentar também declarou que o registro dos lucros está relacionado a ajustes da reforma tributária, com mudanças na tributação de dividendos a partir de 2026. Sobre ações trabalhistas, negou prestação de serviços à Prefeitura de São Gonçalo e afirmou que as alegações foram rejeitadas pela Justiça do Trabalho. A nota diz ainda que a empresa de Mariana Barbosa atua exclusivamente no setor privado e que ela tem mais de uma década de experiência no ramo comercial.








