Apenas cerca de 2 mil das 30 mil espécies conhecidas de orquídeas foram mapeadas pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, mantida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A falta de informação é um dos pontos centrais de uma revisão global que avaliou o risco de extinção da família Orchidaceae.
O estudo reuniu dados disponíveis até março de 2025 e estimou que entre 55,6% e 69,2% das espécies estejam sob risco de extinção. Para cruzar as informações, os pesquisadores usaram ferramentas de inteligência artificial. A análise foi publicada no periódico Biodiversity and Conservation.
Onde estão as lacunas
As Américas Central e do Sul e a Ásia tropical aparecem como as regiões menos amostradas. Em vários países sul-americanos, os dados disponíveis podem indicar um nível de ameaça menor que o real para as espécies.
A Lista Vermelha, estabelecida em 1964, é considerada pelo artigo a principal fonte mundial sobre o risco de extinção de animais, fungos e plantas. No caso das orquídeas, porém, a cobertura ainda é limitada. Entre os obstáculos estão a dificuldade de acesso a muitos locais onde essas plantas vivem, a falta de financiamento e o número reduzido de especialistas.
Também há países com grande diversidade de orquídeas que adotam sistemas próprios de avaliação. Segundo o artigo, isso pode dificultar a conversão dos dados para os padrões globais da IUCN.
Características e ameaças
Em torno de 75% das espécies são epífitas, ou seja, vivem sobre árvores hospedeiras. As demais são terrestres, quando crescem no solo, ou mico-heterotróficas, quando dependem de fungos para obter nutrientes.
A distribuição geográfica restrita, o crescimento lento e a dependência do ambiente aumentam a vulnerabilidade do grupo. Para Eric de Camargo Smidt, professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Autoridade da Lista Vermelha para Orquídeas Sul-Americanas da IUCN, “o extrativismo predatório, aliado ao mercado ilegal que persiste até hoje”, elevou o risco enfrentado pelas orquídeas.
Smidt é coautor do trabalho, que também teve pesquisadores da Austrália, Camarões, Estados Unidos, França, Madagascar e Reino Unido.








