Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Autocuidado nas prisões expõe falta de itens básicos e impacto na dignidade
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Entretenimento

Autocuidado nas prisões expõe falta de itens básicos e impacto na dignidade

Relatos de mulheres mostram como higiene, aparência e saúde mental são afetadas pela falta de produtos e apoio no cárcere.

Para cerca de 31 mil mulheres presas no Brasil, cuidar do cabelo, da pele e da higiene pode ser uma tarefa difícil. A falta de itens básicos e o apoio limitado das famílias afetam a autoestima, a saúde e a preservação da identidade dentro das unidades prisionais.

Helen Baum, educadora social, mestranda em Ciências Humanas e Sociais na Universidade Federal do ABC e ex-detenta, conta que passou anos sem se olhar no espelho. Presa em São Paulo por cerca de três anos, ela esteve no Centro de Detenção Provisória Feminino de Franco da Rocha e no Centro de Progressão Penitenciária Feminino do Butantã.

Nas poucas visitas da mãe, Baum pintava as unhas e tentava arrumar o cabelo. A Secretaria de Administração Penitenciária informa que, ao entrar no sistema, as mulheres recebem uniforme, roupas de cama e um kit com sabonete, escova e creme dental, papel higiênico e absorventes. A reposição ocorre mediante solicitação. Produtos como tinta para cabelo podem ser comprados com recursos da folha de pecúlio, formada por valores do trabalho realizado na unidade ou por depósitos de familiares.

O acesso a outros itens, porém, depende dos recursos de cada mulher e da ajuda recebida. Entre janeiro e junho de 2025, as mulheres receberam 135.401 visitas, número 81,6% menor que o registrado entre os homens, conforme o Levantamento de Informações Penitenciárias do 18o Ciclo.

Saúde e identidade

Para a psicóloga e psicanalista Cristiane Regina da Cruz, autocuidado é a possibilidade mínima de manter o corpo em ordem e envolve as dimensões física, mental, emocional e social. Carolina Loeb, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas, afirma que esse cuidado também representa uma forma de se sentir humana em um ambiente que desumaniza.

Patrícia Vergílio relata ter desenvolvido dermatite atópica durante a prisão. Segundo ela, o tratamento com corticoides se prolongou e depois surgiram problemas no fígado. A dificuldade também alcançava o cabelo: sem tesoura, ela evitava cortá-lo e adaptava produtos nas saídas temporárias.

Dentro das unidades, a escassez criou trocas de objetos e serviços. Patrícia Borges, mulher trans que cumpriu pena em presídios masculinos, conta que recebia sabonetes e produtos de cuidados pessoais em troca de favores. Ela também relata ter sido obrigada a raspar o cabelo semanalmente e impedida de entrar com calcinha.

Depois da liberdade, retomar esses hábitos continua sendo um processo. Baum passou a perceber a importância de hidratar a pele após uma consulta médica. Vergílio, hoje coordenadora administrativa do Projeto Nova Rota, afirma que levou tempo para reconstruir o cuidado com o corpo e a mente. Borges encontrou apoio na Casa Flores, voltou a cuidar dos cabelos e da pele e realizou uma cirurgia de redesignação sexual.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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