Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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PF detalha produção de documentos falsos ligados ao Banco Master
Brasil

PF detalha produção de documentos falsos ligados ao Banco Master

Relatório pericial descreve uso de dados antigos, assinaturas reaproveitadas e alterações digitais em operações de R$ 7,15 bilhões.

Documentos divulgados pela Polícia Federal na sexta-feira, 11, descrevem uma estrutura digital usada por funcionários do Banco Master para produzir peças apontadas como falsas. O material teria sustentado cessões fictícias de crédito consignado ao Banco de Brasília (BRB), em operações que somaram R$ 7,15 bilhões por meio da Tirreno Consultoria.

A dinâmica foi registrada em uma apresentação interna apreendida na área de tecnologia do banco. O arquivo, chamado “Investigações internas – Banco Master”, tinha 30 slides e reunia atividades realizadas entre 18 de junho e 24 de outubro de 2025.

Dados, procurações e assinaturas

Segundo o relatório técnico-pericial, informações de clientes de operações antigas eram retiradas dos sistemas internos e colocadas em planilhas. Em 2 de julho de 2025, Fabrizio Pereira Alencar, coordenador de Controles do Back Office, solicitou a Vinicius Lucas Trentino, analista de Projetos Sênior da área de TI, uma relação de CPFs. O analista organizou os dados, consultou a base interna no dia seguinte e enviou o resultado por e-mail.

Conversas entre integrantes da tecnologia indicaram falhas na lista. Em 20 de junho, Rafael Manfrin da Silva afirmou que havia um CPF associado a apenas uma proposta de 2019 e classificou a relação como “meio furada”. Thiago Ramalho também questionou a quantidade de registros encontrados na filtragem.

Com os dados reunidos, Allan da Silva Machado, gerente de Operações I do Back Office, usou a mala direta do Microsoft Word para criar 2.700 procurações em lote em 20 de junho de 2025. O arquivo foi ligado a uma planilha armazenada na pasta “Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras”.

A área de tecnologia também criou ferramentas para separar de PDFs a segunda página, onde ficavam as assinaturas dos documentos originais. A perícia encontrou o arquivo erros-whatsapp.zip, enviado por Anderson Juliano Caspinelli Garcia a Moacir Lourenço da Silva Junior, com 1.833 PDFs contendo páginas isoladas de Termos de Consentimento.

As Cédulas de Crédito Bancário foram assinadas digitalmente em 20 de junho de 2025 por Fabrizio, Henrique, Allan e Daniel Guscuma. Em alguns documentos, a data escrita era 21 de janeiro de 2025, mas o registro criptográfico apontava assinatura em 20 de junho de 2025, às 14h02min39s.

Alterações nos documentos

Allan também pediu a Moacir a retirada de informações de data e hora dos Termos de Consentimento. No documento de Genilson Lima Leal, o registro original 24/02/2023 13:05 foi apagado visualmente em 3 de julho de 2025, às 15h26, mas a perícia identificou vestígios da alteração.

Depois, os documentos eram reunidos em um PDF por operação com o PDF24. Comprovantes de transferências por SPB e PIX também foram modificados para retirar referências a eventos, contratos e históricos.

A auditoria da Deloitte aparece nas conversas internas. Em 23 de junho, Fabrizio informou a Alberto Felix de Oliveira Neto que eram cobradas explicações sobre a documentação. Alberto sugeriu atribuir o problema a um erro operacional na seleção.

A investigação ainda identificou o envio de amostras à cúpula do banco. Em 12 de junho de 2025, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, pediu a Alberto um “kit dos 300 com assinatura digital”. A perícia concluiu que o confronto entre as datas impressas e os registros digitais permitiu apontar que documentos apresentados como antigos haviam sido assinados posteriormente.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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