SÃO GONÇALO — Três policiais civis e outro homem foram presos nesta sexta-feira (4), acusados de usar a estrutura da corporação para extorquir empresários em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Os quatro foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Lotados no 74ª DP (Alcântara), os agentes teriam usado viaturas oficiais, armas e dependências da Polícia Civil em abordagens apresentadas como fiscalizações. De acordo com a Promotoria, o grupo visitava empresas de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósito de resíduos, apontava supostas irregularidades administrativas e ambientais e cobrava pagamentos para evitar multas.
Valores cobrados
Em um caso, os três policiais teriam exigido R$ 300 mil de uma empresa de reciclagem em 19 de agosto. Depois que o proprietário procurou as autoridades, o valor caiu para R$ 100 mil, com possibilidade de pagamento parcelado, além de R$ 800 mensais.
Ainda segundo a Promotoria, o empresário transferiu R$ 25 mil para uma conta cujo titular é apontado como responsável por receber os valores do grupo.
A denúncia também descreve a abordagem a um caminhão de uma empresa. Um dos policiais presos e outros dois homens ainda não identificados teriam seguido o veículo até a sede da companhia e se apresentado como agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.
No endereço, foram cobrados R$ 20 mil. Após os responsáveis afirmarem que não tinham o valor, a exigência foi reduzida para R$ 15 mil. Nenhum pagamento foi realizado, conforme a denúncia.
Investigação
A apuração foi conduzida pela Promotoria com a Corregedoria e o Serviço de Inteligência da Polícia Civil. Depoimentos de vítimas e testemunhas, reconhecimento fotográfico, imagens de câmeras de monitoramento e um comprovante de transferência bancária foram usados para identificar os acusados.
Na operação, também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão para reunir provas e verificar se outros suspeitos participavam do grupo.
A Polícia Civil declarou que “não compactua com qualquer prática ilícita ou desvio de conduta por parte de seus servidores” e que atuará para responsabilizar os envolvidos.








