Thiago Marcelino Machado foi condenado a 14 anos de prisão pelo homicídio duplamente qualificado de Lucas Eduardo de Lima Dutra, morto a tiros em Anápolis. O julgamento ocorreu na última terça-feira, 16, no Tribunal do Júri da cidade.
Os jurados reconheceram o crime, a autoria e as qualificadoras de motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. A sentença também determinou a prisão imediata de Thiago, a perda do cargo público e o pagamento de indenização mínima de R$ 100 mil pelos danos provocados pelo crime.
Isac Fernando Bastos Sousa e Denilson de Oliveira Custódio, os outros dois réus do processo, foram absolvidos. O pedido foi feito pelo próprio Ministério Público de Goiás (MPGO), que durante o julgamento defendeu a condenação apenas de Thiago.
Circunstâncias do crime
O homicídio aconteceu em 25 de maio de 2023, em um terreno baldio ao lado de uma residência. Conforme a denúncia, Lucas foi atingido por disparos de arma de fogo. A investigação reuniu elementos sobre uma possível alteração proposital da cena e a apresentação de versões para dar aparência de legalidade à ação policial. A decisão também menciona indícios de que a vítima teria sido executada de forma planejada e estava amarrada.
Na dosimetria, a pena-base ficou em 14 anos de reclusão. A Justiça reconheceu a agravante do motivo torpe e a atenuante da confissão. As duas circunstâncias foram compensadas, mantendo o total em 14 anos.
Thiago já havia perdido o cargo público por uma condenação anterior. Nesse caso, recebeu pena de 16 anos e 4 meses pela morte de Guilherme Vieira Camilo, em Anápolis, em 2014.
Ministério Público recorre
O MPGO recorreu para tentar elevar a pena. A promotora de Justiça Márcia Gomes Bueno argumenta que a condição de policial militar e o uso do cargo durante o crime deveriam aumentar a reprovação da conduta.
O Ministério Público também questiona o reconhecimento da confissão espontânea. Para a acusação, Thiago não admitiu o homicídio e apresentou a versão de que Lucas morreu durante um confronto policial, hipótese rejeitada pelos jurados.
O recurso ainda aponta a ausência da companheira da vítima no Registro de Atendimento Integrado. Segundo informações da Polícia Civil, ela estava no local durante a abordagem, teria sido mantida em um veículo descaracterizado e depois levada à Rodoviária de Anápolis para deixar a cidade. Ela tinha um mandado de prisão em aberto.









