Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Reforma política pode unir partidos e reduzir custo das campanhas
Brasil

Reforma política pode unir partidos e reduzir custo das campanhas

Com 30 legendas registradas para 2026, debate propõe fusões por afinidade e revisão do financiamento eleitoral.

O Brasil terá 30 partidos registrados nas eleições de 2026, mas a quantidade de legendas não garante, por si só, diversidade de ideias ou representação de qualidade. A discussão sobre uma reforma política passa pela possibilidade de unir siglas com programas semelhantes e reduzir o custo das campanhas.

A fusão voluntária poderia ser considerada quando partidos mantêm alianças duradouras, defendem propostas próximas e apresentam pouca diferença na atuação parlamentar. Para o eleitor, as distinções entre as legendas deveriam aparecer em temas como saúde, educação, segurança, economia e administração pública, e não apenas nas disputas internas de seus diretórios.

As federações partidárias oferecem um ponto de partida para esse debate. União Brasil e PP, além de PSDB e Cidadania, podem avaliar se a atuação conjunta comporta uma integração definitiva. A mesma discussão envolve PT, PCdoB e PV. As siglas têm histórias próprias, mas a decisão de caminhar juntas levanta a questão sobre quais divergências justificam estruturas separadas.

Uma reorganização por afinidades poderia facilitar a identificação das propostas e aumentar a cobrança por coerência entre campanha e mandato. A redução do número de partidos, porém, não diminuiria automaticamente o dinheiro destinado às legendas. Sem uma revisão do financiamento, haveria apenas menos organizações dividindo os mesmos recursos.

O peso do fundo eleitoral

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha terá R$ 4,96 bilhões para as eleições de 2026. Na divisão divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral, o PL receberá R$ 881,7 milhões. Na sequência aparecem PT, com R$ 615,4 milhões; União Brasil, com R$ 526,2 milhões; PSD, com R$ 421 milhões; PP, com R$ 417,1 milhões; e MDB, com R$ 400 milhões. Somadas, as seis legendas ficam com aproximadamente dois terços do total.

O financiamento público busca permitir a disputa eleitoral sem dependência exclusiva do dinheiro de candidatos e apoiadores. Ainda assim, a manutenção de quase R$ 5 bilhões para campanhas é colocada em debate diante de outras necessidades sociais.

Uma redução de 50% representaria aproximadamente R$ 2,48 bilhões no ano eleitoral. O destino desse valor dependeria das decisões legais e orçamentárias, mas os números do Novo PAC ajudam a dimensionar a quantia: em 2025, foram previstos R$ 1,75 bilhão para 500 creches e R$ 500 milhões para mil veículos do programa Caminho da Escola. As duas iniciativas somam R$ 2,25 bilhões.

A comparação não garante que novas contratações teriam os mesmos custos. Creches podem ampliar o acesso à educação e ao cuidado, enquanto ônibus escolares podem ajudar estudantes de comunidades rurais a chegar às aulas com segurança. Saúde, habitação, saneamento e drenagem também são apontados como possíveis destinos, conforme as necessidades e a capacidade de execução de cada município.

Qualquer escolha exigiria planejamento. Obras como creches e unidades de saúde geram despesas futuras com profissionais, materiais e manutenção. Além disso, reduzir o fundo e transferir toda a economia para outras áreas melhora a prioridade do orçamento, mas não corta sozinho o gasto total. Para produzir efeito fiscal direto, uma parcela precisaria ser poupada.

A diminuição do número de partidos e a redução do custo das campanhas são medidas complementares. Uma pode deixar o sistema mais compreensível; a outra, liberar recursos para necessidades públicas. A discussão também cobra dos partidos uma redução dos próprios gastos e uma justificativa para manter estruturas separadas quando existe espaço para um programa comum.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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