GOIÁS — O cientista político Guilherme Carvalho avalia que Daniel Vilela (MDB) chega à reta final da disputa pelo Governo de Goiás em trajetória de crescimento, enquanto Wilder Morais (PL) está estagnado e Marconi Perillo (PSDB) enfrenta rejeição elevada. A eleição ocorre a menos de duas semanas do 4 de outubro de 2026.
Carvalho afirma que Daniel avança conforme os eleitores definem o voto. Na avaliação dele, a menor rejeição do candidato cria espaço para crescimento, mesmo em uma campanha com pouca mobilização. A estratégia é associar sua candidatura à continuidade do governo de Ronaldo Caiado, cuja gestão teve 88% de avaliação boa ou ótima.
Para o cientista político, Daniel conseguiu assumir uma postura de liderança e tenta incorporar marcas próprias ao legado de Caiado. Entre os exemplos citados estão propostas relacionadas à inteligência artificial, ao Pequi Bank e à segurança pública.
Críticas a Wilder e Marconi
Wilder Morais, segundo Carvalho, não consegue se posicionar claramente no campo bolsonarista nem em uma ala mais moderada. O candidato também enfrentaria dificuldades de comunicação com aliados, imprensa e setores do PL. O cientista político considera que a falta de sinalização política prejudica a campanha e a capacidade de formar uma base.
Sobre Marconi Perillo, Carvalho afirma que o ex-governador se apoia no recall de sua trajetória, mas encontra um limite de rejeição. A campanha, na visão dele, tenta recuperar uma imagem ligada ao Tempo Novo e a períodos anteriores, enquanto Daniel defende a continuidade do projeto atual.
Carvalho também diz que o eleitor não transfere automaticamente suas preferências nacionais para a disputa estadual. A avaliação econômica teria mais peso nas eleições locais, enquanto a decisão nacional seria mais influenciada por preferências ideológicas.
Redes, polarização e contas públicas
Na análise sobre o cenário nacional, Carvalho afirma que as campanhas ainda repetem fórmulas antigas, apesar do peso das redes sociais. Para ele, o eleitor passou a estabelecer vínculos emocionais com grupos políticos, em uma polarização baseada em afetos.
O cientista político vê risco de o petismo deixar de ser a principal força de liderança da esquerda e considera o bolsonarismo mais resiliente. Também defende que as campanhas presidenciais deem mais espaço à situação fiscal do país, à Previdência e à reforma administrativa. Segundo Carvalho, o próximo presidente terá menos margem para gastos discricionários por causa do endividamento e do aumento das despesas com juros.








