Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Silas Corrêa Leite cria colônia imaginária no romance Porto Garcia
Brasil

Silas Corrêa Leite cria colônia imaginária no romance Porto Garcia

Livro recupera histórias de uma comunidade formada por imigrantes, indígenas e afrodescendentes nos Campos Gerais do Paraná.

Silas Corrêa Leite revisita memórias, relatos e referências históricas em Porto Garcia: no Quarto Escuro de Meu Ego Sem Respostas, romance publicado pela Caravana Grupo Editorial em 2025, com 209 páginas. A obra imagina uma colônia secreta próxima aos Campos Gerais do Paraná, território marcado por campos nativos, formações de arenito, agronegócio e heranças do tropeirismo.

Nascido em Monte Alegre (PR), atual Telêmaco Borba, e criado em Itararé, na divisa entre São Paulo e Paraná, o escritor transforma experiências e histórias de juventude em uma busca por uma espécie de refúgio ao sul do Equador. A ideia remete a Pasárgada, cidade persa idealizada por Manuel Bandeira (1886-1968) como espaço de liberdade.

O romance reúne narrativas encadeadas, com inspiração no universo de As Mil e uma Noites. A localização imaginária de Porto Garcia aparece associada a áreas entre Cerro Azul, Sengés, o Vale do Ribeira e os cânions dos Campos Gerais. No enredo, imigrantes europeus, especialmente polacos, chegam ao Brasil pelo porto de Santos e seguem para o interior, até encontrar uma região isolada e fértil.

Uma comunidade fora do tempo

A formação do lugarejo também incorpora descendentes de indígenas, afrodescendentes, quilombolas, moradores que escaparam de conflitos e diferentes grupos ligados à ocupação do Paraná. O autor relaciona o surgimento da colônia ao ano de 1853, quando a província do Paraná se emancipou de São Paulo, e menciona uma colônia agrícola apoiada pela princesa Isabel Cristina (1846-1921), filha de Dom Pedro II (1825-1891).

Em Porto Garcia, a vida comunitária se organiza pela mistura de religiões, culturas e costumes. O romance descreve uma sociedade em que a propriedade individual teria sido abolida e os habitantes compartilhariam a produção e o consumo. A cidade funciona como uma promessa de convivência em meio a um mundo conturbado.

Entre as histórias está a trajetória de Reinaldo, personagem negro que se forma em Direito, torna-se professor universitário e alcança a carreira acadêmica, mas não realiza o sonho de ser juiz. O livro associa sua trajetória ao preconceito racial e mostra sua posterior conversão ao neoevangelismo luterano, seguida da atuação como pregador.

A trajetória do autor

Com mais de 30 livros publicados, Silas Corrêa Leite atua como escritor, poeta, letrista, professor, bibliotecário, desenhista, jornalista e ensaísta. Começou a escrever aos 16 anos, em Itararé, e trabalhou como garçom, marceneiro, engraxate, boia-fria e vendedor de doces antes de ser aprovado para uma vaga de locutor em uma rádio local.

Em 1970, mudou-se para São Paulo. Formou-se em Direito e Geografia, especializou-se em Educação e cursou pós-graduação em áreas como Filosofia, Jornalismo Comunitário e Literatura na Comunicação. Também lecionou Geografia na rede pública e em escolas privadas.

Entre seus livros estão Campo de trigo com corvos, Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé, O Marceneiro – a última tentativa de Cristo, Desjardim – muito além do farol do final do mundo, Ensaios gerais e O sequestro do sonho. Seus trabalhos também aparecem em mais de cem antologias, inclusive em publicações internacionais.

Em Porto Garcia, o autor combina invenção, memória e pesquisa para recontar a origem de uma comunidade formada por múltiplas etnias. A linguagem aposta em expressões populares, neologismos e palavras de sentidos variados para construir uma epopeia sobre a formação de um povo e de um lugar imaginário.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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