Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Susan Neiman defende uma esquerda guiada pelo universalismo
Brasil

Susan Neiman defende uma esquerda guiada pelo universalismo

Filósofa critica o identitarismo e afirma que a esquerda deve recuperar a distinção entre poder e justiça, além da ideia de progresso.

A filósofa Susan Neiman sustenta que a esquerda não deve ser confundida com o movimento woke. Para ela, o pensamento progressista nasceu baseado no universalismo, na solidariedade internacional e na busca por justiça para além de divisões entre nações, etnias, religiões, línguas ou gêneros.

Nascida em Atlanta, na Geórgia, nos Estados Unidos, Neiman participou de movimentos em defesa dos direitos humanos e da paz. Em seu livro “A Esquerda não é Woke”, ela examina os fundamentos do pensamento progressista e as concepções que, em sua avaliação, desviaram esse movimento de seus objetivos originais.

Universalismo versus identitarismo

O termo woke, associado à ideia de despertar, passou a designar uma corrente política voltada às pautas de grupos minoritários sujeitos à discriminação. Neiman reconhece que esses movimentos deram visibilidade a pessoas oprimidas, mas afirma que o identitarismo reduz a identidade humana principalmente às dimensões étnica e de gênero.

Na visão da filósofa, essa redução transforma grupos marginalizados em coletividades que disputam poder de maneira isolada, afastando-os do conjunto da sociedade. O universalismo, ao contrário, teria como base uma questão comum a todos: o senso e a prática da justiça.

A autora relaciona os princípios universalistas ao Iluminismo e analisa as ideias de Michel Foucault e Carl Schmitt. Os dois pensadores, segundo ela, conquistaram a simpatia de setores progressistas por compartilharem hostilidade ao liberalismo e por distinguirem poder e justiça.

Reparação e vitimização

Neiman também aborda a forma como o sofrimento de determinados grupos étnicos passou a ocupar espaço central no movimento woke. Entre os afro-americanos, a escravização deu lugar à demanda por reparação do Estado aos descendentes dos escravizados. Entre os judeus, a Alemanha foi responsabilizada pelos sofrimentos impostos desde a década de 1930 até o fim da segunda guerra mundial.

A filósofa não questiona a necessidade de reparações. O alvo de sua crítica é a criação da categoria dos vitimizados, que pode transformar uma marca negativa em uma forma de status. Nesse contexto, expressões como decolonialismo, ressignificação e lugar de fala passaram a orientar debates sociológicos e históricos.

A reavaliação do passado também levou a questionamentos sobre valores, monumentos e a visão eurocêntrica da história. Em Goiânia, há um movimento para retirar o monumento ao Bandeirante, situado na confluência das avenidas Goiás e Anhanguera. Inaugurado em 1942, o monumento representa Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, fundador de Vila Boa, antiga capital de Goiás.

Três princípios para a esquerda

Para Susan Neiman, a esquerda precisa recuperar três compromissos: o universalismo, a distinção entre poder e justiça e a possibilidade de progresso. Ela afirma que “a insistência de que o poder é a única coisa que move a sociedade anda de mãos dadas com o desprezo pela razão”.

A filósofa avalia que, sem compreender essa diferença, a esquerda pode perder influência na sociedade. Sua proposta é que o movimento retome fundamentos humanísticos e universais, sem abandonar a defesa de grupos oprimidos, mas evitando que identidades específicas substituam a busca por justiça comum.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5