Três furacões avançam simultaneamente pelo Oceano Pacífico nesta quinta-feira (3), em um evento raro associado às águas aquecidas por um El Niño historicamente forte. Karina e Lowell seguem para oeste, afastando-se do continente americano, enquanto Marie se formou na costa da Baixa Califórnia, no México.
Marie ganhou força no fim da quarta-feira e virou furacão. A tempestade estava a cerca de 600 quilômetros a sudoeste da ponta sul da Baixa Califórnia e deveria se intensificar até sexta (4), conforme a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa).
Karina foi classificado na categoria 4 da escala Saffir-Simpson. Lowell evoluiu na quarta-feira para a categoria 5, a mais forte e destrutiva, quando estava a centenas de quilômetros ao sul do Havaí.
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) informou que Karina deve enfraquecer nos próximos dias. Lowell, por sua vez, deve continuar como um grande furacão enquanto avança para oeste. O órgão alertou para o risco de marés e correntes de retorno com risco de morte em partes das ilhas do Havaí nos próximos dias e disse que as previsões de longo prazo eram mais incertas do que o habitual.
Julia Cole, cientista do clima da Universidade de Michigan, explicou que o aquecimento provocado pelo El Niño favorece tempestades alimentadas por águas quentes. O fenômeno também reduz o cisalhamento vertical dos ventos sobre o Pacífico, condição que facilita a intensificação dos furacões.
Benjamin Kirtman, cientista atmosférico da Universidade de Miami, afirmou que o sistema climático aqueceu significativamente nos últimos 20 anos. Para ele, a temperatura da superfície do mar está próxima de níveis recordes e as condições para a formação de tempestades estão extremamente favoráveis.
El Niño pode atingir recorde
Uma situação parecida ocorreu em 2015, outro ano de El Niño intenso. Na ocasião, os furacões Kilo, Ignacio e Jimena, além da depressão tropical 14E, atravessaram o Pacífico simultaneamente.
O El Niño deste ano tem 69% de chance de se tornar o mais forte já registrado, segundo a Noaa. O pico do fenômeno é esperado entre outubro e dezembro. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou a previsão de um El Niño muito forte e informou que é praticamente certo que o fenômeno persista até fevereiro.
O ano mais quente já registrado foi 2024, após o último El Niño. Celeste Saulo, chefe da OMM, afirmou que o fenômeno pode atingir comunidades e economias em todo o mundo. Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, disse que o planeta está entrando na zona de perigo dos eventos climáticos extremos.
O El Niño é a fase de aquecimento de um ciclo natural no Pacífico tropical, que ocorre entre a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses. Ele começa quando os ventos alísios enfraquecem, permitindo que a água quente acumulada no oeste do Pacífico retorne para leste e suba à superfície.
O fenômeno altera padrões globais de vento, pressão atmosférica e precipitação. Seus efeitos incluem condições mais quentes e secas em algumas áreas e mais frias e úmidas em outras, além de secas em partes da Amazônia, da Indonésia e da Austrália e mudanças nas monções da Índia e nos regimes de chuva da faixa tropical.








