SÃO PAULO — O MASP inaugurou nesta sexta-feira (04.09) a exposição Histórias latino-americanas, com 187 obras de 148 artistas de 20 países. A mostra ocupa cinco galerias do Edifício Pietro Maria Bardi e percorre produções do período pré-colonial ao contemporâneo.
Com curadoria de Amanda Carneiro e Julieta González, a exposição investiga como a ideia de América Latina foi construída e disputada ao longo do tempo. O percurso aborda narrativas impostas de fora do continente e formas de resistência desenvolvidas por suas próprias sociedades.
Cinco núcleos
A exposição começa com O mundo ao revés, núcleo baseado no conceito andino de pachakuti, associado à inversão da ordem do mundo provocada pela invasão europeia. O espaço reúne trabalhos sobre o mito colonial do paraíso tropical e o Barroco latino-americano.
Em Retórica do progresso, a mostra trata dos projetos de urbanização e industrialização do século 20, relacionados às promessas de modernidade, à desigualdade e à devastação ambiental. O núcleo inclui obras comissionadas para a exposição de Mariana Castillo Deball, JAMAC, Marcela Cantuária, Marcelo Cidade e Manuel Chavajay, artista maya tz'utujil da Guatemala.
Sociedades americanas apresenta formas de organização comunitária, como quilombos, cooperativas e movimentos camponeses. Já Estamos em salsa, título inspirado em uma canção de 1978 de Wayne Gorbea, aborda a relação entre dependência econômica e repertório cultural, com obras de Cildo Meireles e Antonio Caro.
O último núcleo, A queda do céu, leva o título do livro de Davi Kopenawa e Bruce Albert e propõe reflexões sobre o colapso ambiental na Amazônia.
Entre os artistas brasileiros estão Adriana Varejão, Hélio Oiticica e Abdias Nascimento. A seleção também inclui Diego Rivera, Miguel Covarrubias, Seba Calfuqueo, Daniel Lind-Ramos e Pepón Osorio. Teo Teotonio participa da assistência de curadoria.
A exposição está em cartaz no MASP, na Avenida Paulista, 1578, Bela Vista, São Paulo, até 31 de janeiro de 2027.








