A exposição Histórias latino-americanas abre hoje (04) no Museu de Arte de São Paulo com 187 trabalhos de 148 artistas de 20 países. A mostra percorre a história da região do período pré-colonial ao contemporâneo e reúne obras sobre colonização, extrativismo, migração, diáspora, organização coletiva e projetos de futuro.
Distribuída por cinco galerias do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição aproxima experiências e conflitos de diferentes territórios. A proposta não é apresentar uma narrativa única sobre a América Latina, mas colocar lado a lado diferentes temporalidades e perspectivas construídas por pinturas, fotografias, mapas, documentos e símbolos.
Cinco obras em destaque
A curadora-adjunta do MASP, Julieta González, selecionou cinco trabalhos de autoria feminina para comentar os pilares temáticos da mostra.
Sandra Gamarra parte da Nueva corónica y buen gobierno, crônica escrita e ilustrada por Felipe Guamán Poma de Ayala em 1615. O trabalho aborda o Estado Inca e a conquista espanhola, enquanto documentos coloniais, como mapas e desenhos, recebem camadas de óxido de ferro. A obra também incorpora desenhos dos pallares mochica, associados à adivinhação e transformados em códigos quando reproduzidos em cerâmica.
Mariana Castillo Deball trabalha com mapas do México, incluindo o Mapa de Nuremberg de Tenochtitlan, uma das primeiras representações europeias da capital asteca. Produzido a partir de informações das cartas de Hernán Cortés, o mapa foi usado na colonização e na conquista da cidade.
A fotógrafa italiana que chegou ao México em 1923 aparece na mostra com imagens do período pós-revolucionário. Em vez das grandes narrativas, suas fotografias se concentram em mãos, instrumentos de trabalho e camponeses lendo o jornal El Machete.
Teresa Margolles apresenta Los Otros, trabalho ligado às ondas migratórias na Europa. A artista convidou quatorze imigrantes latino-americanos que vivem em Berlim a bordar uma linha vermelha em um tecido. A obra reúne o pano, gravações de vozes e uma publicação.
Já Sonhíferas, de Solange Pessoa, traz grandes desenhos em preto e branco de criaturas entre o animal, o humano, a planta e o sonho. As figuras ecoam cosmologias ameríndias nas quais essas fronteiras não são claramente definidas.








