A atividade física já faz parte da rotina de muitas mulheres maduras, mas o mercado esportivo ainda não conseguiu acompanhar essa mudança. Pesquisa da Madura Lab aponta que cerca de 80% das entrevistadas treinam três vezes ou mais por semana, enquanto 35% se exercitam cinco vezes ou mais.
O levantamento foi realizado entre julho e agosto deste ano e ouviu mulheres das gerações X e Baby Boomers. Para esse público, treinar deixou de estar ligado apenas ao emagrecimento ou à transformação do corpo. A busca envolve força, mobilidade, disposição e independência.
“Ela já está nele. Treina, consome e faz suas escolhas”, afirmou Gabriela Bonella, estrategista de marca, executiva de marketing e cofundadora da Madura Lab. Manuela Bertoletti, também cofundadora da consultoria, destacou a consistência da relação dessas mulheres com a atividade física.
Saúde e autonomia no centro
Saúde é a principal motivação para 91,2% das entrevistadas. Qualidade de vida aparece para 79,2%, longevidade para 56,5% e bem-estar emocional para 55,9%. A performance esportiva foi citada por 7,6%.
A pesquisa identifica uma mudança no significado de desempenho. Em vez de se concentrar apenas em velocidade, recordes ou superação de limites, a prática esportiva passa a ser associada à manutenção das possibilidades: viajar, subir uma trilha, trabalhar, dançar, caminhar pela cidade, brincar com os netos e seguir realizando atividades desejadas.
A Madura Lab define esse movimento como performance da longevidade, ligada à preservação da autonomia e da disposição ao longo dos anos. O conceito não elimina a busca por evolução, estética ou desafios, mas amplia o que pode ser considerado resultado.
Comunicação e produtos ainda deixam lacunas
Apesar da presença crescente dessas consumidoras, 75% das entrevistadas avaliam que a comunicação das marcas esportivas para mulheres de sua idade é parcial ou inexistente. Em uma escala de zero a cinco, a compreensão das marcas sobre esse público recebeu nota média de 2,6.
Para Manuela, a representação precisa aparecer também nos produtos. Isso envolve modelagem, numeração, caimento, conforto e experiência de compra. Uma das participantes apontou a necessidade de tamanhos mais adequados às mudanças corporais da pré e da pós-menopausa, especialmente na região abdominal.
O descompasso também foi identificado nos Estados Unidos. Pesquisa do Boston Consulting Group mostrou que as gerações X e Baby Boomers são consumidoras importantes de roupas esportivas e pretendem ampliar os gastos, principalmente com itens premium. O estudo também indicou que elas passam três vezes mais tempo caminhando do que correndo, enquanto as principais marcas analisadas oferecem 1,6 vez mais modelos de tênis de corrida do que de caminhada.
Para as sócias da Madura Lab, a resposta não está em criar uma linha separada para mulheres 50+. Esse público pratica musculação, pilates, corrida, caminhada, natação, trilha e dança. O desafio é reconhecer a mulher madura como parte natural do universo esportivo, e não como uma exceção.








