A Premier League coleciona episódios em que o VAR não corrigiu um erro de campo — e, em alguns casos, acabou criando outro. As próprias autoridades de arbitragem reconheceram falhas em cinco lances que tiveram impacto direto nos resultados.
O gol de Haaland e a interferência de Fernández
No clássico de Manchester deste domingo, o Manchester City venceu o Manchester United por 1 a 0, em Old Trafford, com gol de Erling Haaland. O lance havia sido anulado por impedimento, mas o VAR concluiu que Patrick Dorgu mantinha o atacante em posição legal.
A discussão ficou concentrada em Enzo Fernández, que estava impedido e pareceu disputar a bola antes de ela chegar a Haaland. O VAR considerou que o meio-campista não interferiu na jogada e validou o gol.
Depois, o órgão de arbitragem admitiu que Michael Oliver deveria ter sido chamado para revisar o lance no campo. A análise envolvia um julgamento subjetivo sobre a participação de Fernández.
Cornet teve gol anulado contra o Chelsea
Em 2022, o West Ham perdia por 2 a 1 para o Chelsea, em Stamford Bridge, quando Maxwel Cornet marcou após Édouard Mendy falhar ao segurar a bola. Jarred Gillett recomendou uma revisão de um choque entre o goleiro e Jarrod Bowen.
Andrew Madley entendeu que Bowen cometeu falta e anulou o gol. David Moyes classificou a decisão como “escandalosa”, enquanto as imagens indicavam contato mínimo entre os jogadores.
A PGMOL reconheceu posteriormente que a decisão do VAR foi equivocada. O caso também levantou dúvidas sobre intervenções em lances nos quais a decisão original deveria ser mantida.
A linha errada no gol de Estupiñán
Em 2023, Brighton e Crystal Palace empataram por 1 a 1 após Pervis Estupiñán ter um gol anulado por impedimento. John Brooks traçou a linha a partir de James Tomkins, mas o defensor que deveria ser considerado era Marc Guéhi.
Guéhi estava atrás do companheiro e teria colocado Estupiñán em posição legal. Com a linha correta, o gol seria validado.
A PGMOL reconheceu ao Brighton “erros significativos” no procedimento e atribuiu a falha a erro humano. Brooks foi afastado por duas partidas.
O impedimento que não foi traçado
Em fevereiro de 2023, o Arsenal vencia o Brentford por 1 a 0, no Emirates Stadium, quando Ivan Toney empatou de cabeça aos 74 minutos. O VAR, comandado por Lee Mason, checou uma possível falta de Ethan Pinnock em Gabriel, mas não traçou as linhas para verificar a posição de Christian Norgaard.
Depois, ficou comprovado que Norgaard estava impedido e que o gol deveria ter sido anulado. O resultado custou dois pontos ao Arsenal na briga pelo título. Mikel Arteta afirmou que queria os pontos de volta.
Howard Webb pediu desculpas ao Arsenal, e Mason deixou a organização por acordo mútuo poucos dias depois. A PGMOL também reconheceu as falhas desse jogo e da partida entre Brighton e Crystal Palace.
Luis Díaz e a decisão entendida ao contrário
Em setembro de 2023, o Tottenham venceu o Liverpool por 2 a 1, em uma partida marcada pela anulação do gol de Luis Díaz. O colombiano foi apontado como impedido, embora Cristian Romero o colocasse claramente em posição legal.
A equipe do VAR acreditou, por engano, que a decisão em campo tinha sido validar o gol. A checagem terminou sem que o impedimento correto fosse comunicado.
A PGMOL classificou o episódio como um “erro humano significativo” e um “erro factual claro e óbvio”. O Liverpool acabou derrotado por 2 a 1, em um jogo que também teve a expulsão de Curtis Jones.
A organização divulgou o áudio da sala do VAR e mostrou o momento em que os árbitros perceberam o engano. O caso se tornou um dos exemplos mais claros de falha no processo, sem depender de uma interpretação difícil do lance.








