Flamengo, Corinthians e São Paulo são os clubes da Série A mais expostos a uma eventual saída das empresas de apostas do futebol brasileiro. Nos três casos, os contratos com bets representam mais de 10% do orçamento bruto.
O Flamengo tem o maior acordo: R$ 268,5 milhões por temporada com a Betano. O valor equivale a 12,85% da receita bruta do clube, que chegou a R$ 2,08 bilhões em 2025.
No Corinthians, a parceria com a Esportes da Sorte responde por 10,6% do orçamento bruto e rende R$ 103 milhões por ano. O São Paulo aparece em seguida, com R$ 113 milhões fixos por temporada pagos pela Superbet, quantia correspondente a 10,5% do orçamento tricolor.
Diferenças entre os contratos
O Palmeiras também possui um acordo de grande valor, mas a dependência proporcional é menor. A Sportingbet paga R$ 100 milhões fixos por ano ao clube, montante equivalente a 5,6% do orçamento. Em 2025, o Palmeiras registrou receita bruta de R$ 1,78 bilhão.
Na outra ponta, Botafogo e Remo têm os menores níveis de dependência entre os clubes com contratos com casas de apostas: 3,8% e 3,6%, respectivamente. No conjunto da Série A, os patrocínios de bets representam cerca de 7% das receitas dos clubes. Nenhum dos acordos analisados supera 13% do orçamento de um participante da elite.
Com exceção de Flamengo, Corinthians e São Paulo, nenhum outro clube teve contrato com bet equivalente a mais de 8% da receita bruta de 2025.
Mercado em expansão
Em 2026, as empresas de apostas devem movimentar aproximadamente R$ 1,1 bilhão no futebol nacional. Na Série A, 14 dos 20 participantes têm atualmente uma empresa do segmento como patrocinadora máster.
O valor estimado para 2026 supera os aproximadamente R$ 523 milhões movimentados em 2024. Naquele ano, 18 dos 20 clubes da primeira divisão exibiam marcas de apostas nos uniformes. As empresas também passaram a ocupar espaços como os naming rights dos principais campeonatos nacionais.
Clubes já procuram substitutos
Bahia, Grêmio e Internacional perderam, ao longo deste ano, receitas de antigas patrocinadoras máster do segmento. O Grêmio recompôs o espaço com a Pitaco, em um acordo de R$ 43 milhões por ano.
Entre os clubes que disputaram a Série B em 2025, Athletico-PR e Coritiba também deixaram de contar com casas de apostas em suas camisas. Bragantino e Mirassol seguem outro modelo, com empresas de bebidas estampadas nos uniformes.
A nova medida do Governo Federal pode interromper contratos firmados com os clubes. Se as bets deixarem o futebol, as equipes terão de buscar alternativas para substituir acordos que movimentam dezenas ou centenas de milhões de reais por temporada.








