Rio de Janeiro, Sábado, 3 de outubro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Cartas revelam amizade científica entre Fritz Müller e Charles Darwin
Brasil

Cartas revelam amizade científica entre Fritz Müller e Charles Darwin

Correspondência iniciada após a publicação de “Für Darwin” reuniu ciência, desenhos e admiração entre os naturalistas por quase 20 anos.

A amizade entre Fritz Müller e Charles Darwin foi construída por cartas, pesquisas e desenhos trocados à distância. Os dois naturalistas nunca se conheceram pessoalmente, mas mantiveram uma interlocução científica e amistosa que atravessou quase 20 anos.

Fritz Müller viveu até a morte em Blumenau, em Santa Catarina, depois de deixar a Europa. Ao estudar camarões, lagostas e siris, percebeu que espécies diferentes na fase adulta apresentavam larvas parecidas. Para ele, a descoberta era uma evidência de que a diversidade dos crustáceos poderia ter origem em um ancestral comum, com diferenciação posterior por seleção natural.

O início da correspondência

As observações deram origem ao livro “Für Darwin”, publicado em Leipzig, na Alemanha, em 1864. A obra reunia teorias e dados que apoiavam as ideias darwinistas e chegou às mãos de Darwin. Depois da leitura, o naturalista britânico escreveu a Müller.

A primeira carta conhecida de Darwin é de 10 de agosto de 1865. O conteúdo, porém, indica que os dois já haviam se comunicado antes. Darwin mencionou o envio de um artigo sobre plantas trepadeiras e comentou que esperava que o material chegasse ao destinatário.

O conjunto de cartas inclui 26 documentos que estavam em Blumenau e 56 que ficaram com a avó de Hugo Brockes, bisneto de Müller. Parte do material foi vendida e encaminhada à Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Brockes acredita que essas cartas tenham se perdido durante a transferência da sede da universidade para o lado oposto da ilha de Manhattan.

O livro “Dear Mr Darwin”, de Cezar Zillig, reuniu 39 cartas ou fragmentos de Darwin para Müller e 34 cartas do naturalista que vivia no Brasil para o britânico. A correspondência terminou com um fragmento enviado por Darwin em 4 de abril de 1882, quinze dias antes da morte do britânico. Fritz Müller morreu em Blumenau, aos 75 anos, em 21 de maio de 1897.

Ciência, desenhos e idiomas

Nas cartas, os pesquisadores compartilhavam informações sobre crustáceos, plantas, esponjas e orquídeas. Também enviavam sementes, folhas, flores e ilustrações. Darwin destacou o inglês de Müller e elogiou os desenhos feitos pelo alemão, que aprendeu sozinho outros idiomas e, conforme Hugo Brockes, correspondia-se em 19 línguas.

Müller deixou a Alemanha aos 30 anos e se instalou na colônia fundada por Hermann Bruno Otto Blumenau, em Santa Catarina. Trabalhou como médico da colônia, desbravou a floresta, cultivou a terra e construiu a própria casa. Depois, lecionou Matemática em Desterro, atual Florianópolis, por onze anos, enquanto estudava a natureza do litoral e da floresta catarinenses.

Foi nesse período que conheceu “A Origem das Espécies”, de Darwin, por intermédio de Max Schultze. A publicação havia sido lançada em 1859 e defendia a seleção natural como explicação para a evolução dos seres vivos.

Hugo Brockes, escritor e publicitário, é um dos cinco bisnetos vivos de Müller. Ele conta que o naturalista tinha uma tendência “anarquista” e enfrentou conflitos familiares e religiosos antes de deixar a Europa. Müller nunca retornou à Alemanha e permaneceu no Brasil até a morte.

Uma nova edição de “A Origem das Espécies”, com tradução de Daniel Moreira Miranda, foi publicada pela Edipro. O volume tem 480 páginas e usa como base a primeira edição, de 1859.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5