Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Catedral de Goiânia reúne disputas políticas, devoção e uma orientação ainda sem prova definitiva
Brasil

Catedral de Goiânia reúne disputas políticas, devoção e uma orientação ainda sem prova definitiva

Documentos mostram a participação de Jerônimo Coimbra Bueno na implantação do templo, mas não comprovam que ele tenha definido a fachada voltada para longe da Praça Cívica.

A Catedral Metropolitana de Goiânia foi construída ao lado do poder estadual, mas sem uma explicação documental definitiva para sua orientação. A tradição diz que o templo ficou de costas para o Palácio das Esmeraldas por causa de disputas políticas entre Pedro Ludovico Teixeira, Dom Emanuel Gomes de Oliveira e Jerônimo Coimbra Bueno. Os registros localizados, porém, comprovam apenas parte dessa história.

A relação da Igreja com a formação da capital começou antes da Catedral. Em 24 de maio de 1935, uma missa celebrada sob uma árvore do Cerrado colocou Goiânia sob a proteção de Nossa Senhora Auxiliadora. Gercina Borges, mulher de Pedro Ludovico, foi paraninfa da cerimônia e era devota da santa.

No quarto de Gercina, no sobrado da Rua 26, permanece uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Ainda não há documentação que confirme se ela é a mesma imagem ligada aos primeiros cultos da Matriz. A imagem venerada atualmente na Catedral veio de São Paulo nos anos 1940, emprestada pela Igreja do Bom Retiro, e permaneceu em Goiânia.

Os locais previstos para a Catedral

O plano urbanístico de Armando de Godoy, em 1936, previa um centro religioso no Setor Sul. A Catedral seria erguida na área que ficou conhecida como Praça do Cruzeiro, próxima ao Colégio Maria Auxiliadora e à Paróquia São José. Em 5 de julho de 1942, durante o Batismo Cultural de Goiânia, foi lançada ali a pedra fundamental do templo.

Como o Setor Sul demorava a ser ocupado, Dom Emanuel decidiu construir uma Catedral provisória perto da Praça Cívica, entre as ruas 10, 14, 19 e 20. Em 22 de dezembro de 1937, a Cúria criou a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Dois dias depois, em 24 de dezembro, a primeira Matriz recebeu a bênção.

A Catedral definitiva começou a tomar forma em 1947. Em 18 de maio daquele ano, Dom Emanuel criou a comissão responsável por arrecadar recursos para a obra e escolheu Ambrosina Coimbra Bueno, mulher do governador Jerônimo Coimbra Bueno, para presidi-la.

A igreja levou 20 anos até alcançar a forma de grande templo. O projeto foi elaborado pelo padre-arquiteto salesiano Paulo Consolini e executado com mudanças. A construção avançou em etapas, ficou inacabada após a morte de Dom Emanuel, em 1955, foi inaugurada em 1956 e recebeu a sagração definitiva em 1966.

O que os documentos mostram

A narrativa histórica adotada pela Catedral afirma que Dom Emanuel queria colocar a igreja na ponta da quadra, voltada para a Rua 20, para preservar lotes voltados para a Rua 19. Jerônimo Coimbra Bueno discordou e defendeu a posição central do edifício, para ampliar seu destaque diante das construções vizinhas.

Essa interferência de Jerônimo na implantação está documentada. Não há, contudo, ata, carta, planta anotada ou depoimento contemporâneo que mostre uma ordem para virar a fachada contra a Praça Cívica como afronta a Pedro Ludovico.

Por isso, a versão de uma vingança política continua sendo uma hipótese. A Catedral atravessou a devoção de Gercina, os conflitos entre Igreja e governo, a eleição de 1947, a aliança entre Dom Emanuel e Jerônimo e as decisões urbanísticas que moldaram Goiânia. Mas ainda não se sabe quem definiu sua orientação final — nem se alguém decidiu conscientemente colocá-la de costas para o centro do poder estadual.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5