Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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A história por trás da posição da Catedral Metropolitana de Goiânia
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A história por trás da posição da Catedral Metropolitana de Goiânia

Documentos confirmam disputas e decisões sobre o templo, mas ainda não provam quem definiu sua fachada voltada para longe da Praça Cívica.

A posição da Catedral Metropolitana de Goiânia ainda não tem uma explicação definitiva nos documentos históricos. Há registros de que Jerônimo Coimbra Bueno interferiu na implantação do edifício, mas não existe prova de que ele, Dom Emanuel Gomes de Oliveira ou o padre-arquiteto Paulo Consolini tenham decidido virar a fachada contra a Praça Cívica.

A construção atravessou disputas políticas, mudanças no projeto urbano e aproximações entre a Igreja e o governo. A história também passa por Nossa Senhora Auxiliadora, devoção de Gercina Borges, mulher de Pedro Ludovico Teixeira.

Uma igreja que mudou de lugar

No plano urbanístico de Armando de Godoy, elaborado em 1936, a Catedral seria erguida no Setor Sul, em uma área que ficou conhecida como Praça do Cruzeiro. O espaço incluiria terrenos próximos ao Colégio Maria Auxiliadora, à Paróquia São José e a áreas que mais tarde integrariam o complexo da Universidade Católica (PUC).

A documentação da urbanização registra, em 1947, a existência de uma “Praça da Catedral” no Setor Sul. Em 5 de julho de 1942, durante o Batismo Cultural de Goiânia, o cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra conduziu o lançamento da pedra fundamental do templo no local onde hoje está a cruz da Praça do Cruzeiro.

Dom Emanuel, porém, considerava que o Setor Sul ainda estava afastado da região que crescia. Por isso, decidiu construir uma Catedral provisória na quadra entre as ruas 10, 14, 19 e 20, ao lado da Praça Cívica. A área já pertencia à Igreja desde 1933.

As terras destinadas a obras religiosas eram associadas a Andrelino Rodrigues de Moraes e Bárbara, que doaram ao Estado áreas das fazendas Botafogo, Macambira e Vaca Brava para a construção da nova capital. A documentação também atribui a Andrelino a doação de aproximadamente dois alqueires para obras religiosas.

Igreja e política em movimento

A relação entre Pedro Ludovico e Dom Emanuel começou com divergências sobre a transferência da capital. O arcebispo presidiu a Comissão de Estudos Para a Localização da Futura Capital do Estado de Goiás, criada por decreto em dezembro de 1932, mas defendia a região de Bonfim (Silvânia), enquanto a escolha recaiu sobre Campinas.

Dom Emanuel não participou da primeira missa celebrada no território da futura Goiânia nem do lançamento da primeira pedra fundamental, em 24 de outubro de 1933. As cerimônias foram conduzidas por padres redentoristas da paróquia de Campinas, grupo que mantinha uma relação ruim com o arcebispo salesiano.

A aproximação entre os lados teve Gercina como uma das pontes. Em 24 de maio de 1935, uma missa celebrada por Abel Ribeiro Camelo, sob uma árvore do Cerrado, marcou a intenção de colocar Goiânia sob a proteção de Nossa Senhora Auxiliadora. Gercina foi paraninfa da cerimônia, e Dom Emanuel acolheu a escolha.

Em 22 de dezembro de 1937, a Cúria criou a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Abel Ribeiro foi nomeado primeiro vigário, com Francisco de Sales Peclat como coadjutor. Dois dias depois, em 24 de dezembro, a primeira Matriz recebeu a bênção antes da missa do Galo. Gercina presidiu a comissão organizadora dos festejos.

A decisão de 1947

A configuração política mudou após a eleição de 1947. Dom Emanuel apoiou Jerônimo Coimbra Bueno contra José Ludovico de Almeida, candidato do grupo de Pedro Ludovico. A aproximação entre o arcebispo e o novo governador alterou a relação de forças em torno da Catedral.

Em 18 de maio de 1947, Dom Emanuel criou a Pro Erigenda Ecclesia, comissão encarregada de arrecadar recursos para a obra. Ambrosina Coimbra Bueno, mulher de Jerônimo, foi escolhida para presidir o grupo. Dom Abel também participou da reunião.

A planta escolhida pelo arcebispo havia sido feita por Paulo Consolini para a igreja de São João Bosco, em São João del-Rei, Minas Gerais. Em Goiânia, a construção avançou lentamente, em diferentes fases. A igreja foi inaugurada em 1956, ainda inacabada, e recebeu a sagração definitiva em 1966.

Segundo a narrativa histórica usada pela Catedral, Dom Emanuel queria colocar o templo na ponta da quadra, voltado para a Rua 20, para preservar os lotes da Rua 19. Jerônimo discordou e convenceu o arcebispo a posicionar o edifício no centro da quadra, dando mais destaque à construção.

O que os arquivos comprovam

A documentação confirma a interferência de Jerônimo na implantação da Catedral. Não confirma, porém, que ele tenha determinado a orientação da fachada. Também não há ata, carta, planta anotada ou depoimento contemporâneo que registre uma ordem para colocar a igreja de costas para a Praça Cívica como afronta a Pedro Ludovico.

A Catedral foi erguida em meio a uma sucessão de disputas: Pedro Ludovico contra Dom Emanuel, Pedro contra Jerônimo e conflitos entre os interesses da Igreja e do governo. A devoção de Gercina e a atuação de Ambrosina também aparecem em momentos diferentes da construção.

A imagem de Nossa Senhora Auxiliadora preservada no sobrado da Rua 26, onde viveram Pedro e Gercina, não teve sua ligação com os primeiros cultos da Matriz comprovada. A imagem venerada atualmente na Catedral veio de São Paulo nos anos 1940, emprestada pela Igreja do Bom Retiro, e permaneceu em Goiânia.

Assim, a pergunta sobre quem definiu a posição final do templo continua aberta. Os documentos mostram decisões, alianças e mudanças no projeto, mas ainda não revelam se a Catedral foi realmente orientada de costas para o centro do poder estadual por uma decisão política específica.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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