Rio de Janeiro, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Cidades inteligentes dependem de governança, não só de tecnologia
Brasil

Cidades inteligentes dependem de governança, não só de tecnologia

A inteligência urbana envolve decisões, responsabilidades e articulação entre governos, empresas, universidades, sociedade civil e cidadãos.

Sensores, plataformas digitais, inteligência artificial e sistemas de informação já fazem parte da rotina de muitas cidades. Mas a presença dessas ferramentas não basta para definir uma cidade como inteligente. O ponto central é entender como essa transformação é coordenada e governada.

A governança reúne governos, empresas, universidades, organizações da sociedade civil e cidadãos, cada um com diferentes conhecimentos, recursos, responsabilidades e capacidades. Participar desse processo não significa exercer a mesma função: alguns atores têm autoridade institucional, enquanto outros contribuem com inovação, infraestrutura, experiência e informações sobre as necessidades da população.

Governo e governança não são a mesma coisa. O governo atua dentro das atribuições que recebeu institucionalmente. Já a governança envolve os processos de coordenação e decisão entre diferentes atores, setores e níveis institucionais. Nas cidades inteligentes, essa articulação se torna mais complexa à medida que tecnologias, dados e instituições passam a interagir de forma intensa.

Quem define as prioridades?

O uso de dados para organizar serviços levanta questões sobre quem estabelece prioridades, como as informações são compartilhadas entre sistemas e de que maneira as responsabilidades são distribuídas. Também é preciso acompanhar os resultados das parcerias entre governos, empresas, universidades e sociedade.

Mais do que classificar modelos de governança, o desafio é identificar como a capacidade de governar está organizada. Isso envolve saber quem participa e decide, quais recursos e conhecimentos estão disponíveis e se existem condições institucionais para transformar decisões em ações.

Nesse cenário, o papel do Estado não desaparece. Ele se transforma e exige capacidade pública para coordenar áreas, definir prioridades e acompanhar resultados. No Brasil, as diferenças entre municípios em população, recursos, estrutura administrativa e capacidade institucional fazem com que uma mesma tecnologia produza resultados distintos.

A inteligência urbana, portanto, pode ser entendida como capacidade de governança. Ela depende da articulação entre pessoas, instituições, conhecimentos, recursos e tecnologias em torno de objetivos públicos. A questão sobre quem governa a cidade inteligente não aponta para um único protagonista, mas para a forma como diferentes atores transformam conhecimento em decisão, decisão em ação e ação em valor público.

A análise é assinada por uma arquiteta e urbanista, doutoranda em Geografia pela UFG, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIALFA e pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles, no Núcleo Goiânia.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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