GOIÁS — As chuvas registradas nos últimos dias podem ser apenas uma pausa na estiagem em Goiás. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), coronel Washington Luiz, afirma que o Estado pode enfrentar mais 60 a 90 dias de seca, com precipitações mais consistentes somente em dezembro.
As projeções acompanhadas pela corporação indicam ausência de chuva regular em outubro e novembro. Para Washington Luiz, a retomada pode ocorrer apenas perto do Natal.
Frente fria trouxe chuva fora de época
O comandante explicou que as precipitações do início de setembro foram provocadas pelo encontro de uma frente fria úmida com a massa de ar quente predominante em Goiás. O sistema avançou pelas regiões Sul e Sudeste e alcançou parte do território goiano.
Antes de chegar ao Estado, a instabilidade provocou temporais e granizo em estados como São Paulo. Washington Luiz também relacionou o cenário ao aquecimento das águas do Pacífico e ao super El Niño.
A passagem da frente fria, no entanto, não significa o fim da estiagem. A principal preocupação está no período posterior, caso outubro e novembro transcorram sem chuvas regulares.
Mananciais e incêndios preocupam
Os níveis dos mananciais já estavam baixos antes das precipitações recentes. Se o período sem chuva se confirmar, Goiás poderá enfrentar, além de uma fase mais crítica para incêndios florestais, dificuldades no abastecimento de água e uma crise hídrica até o fim do ano.
A bacia do João Leite, responsável por parte do abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia, está entre as áreas acompanhadas. Outros municípios também monitoram seus reservatórios.
O calor é outro ponto de atenção. Alguns municípios goianos podem registrar temperaturas entre 41°C e 42°C caso a estiagem se prolongue.
As chuvas aliviaram temporariamente uma situação considerada de seca extrema. Antes da mudança no tempo, o Corpo de Bombeiros se preparava para ampliar a mobilização de brigadas rurais e florestais. Sem as precipitações recentes, Goiás poderia ter ultrapassado 100 focos de incêndio.
Equipes foram descentralizadas
Para reduzir o tempo de resposta e evitar que ocorrências menores crescessem, a corporação descentralizou as equipes. No Nordeste Goiano, foram instaladas seis estruturas temporárias do Corpo de Bombeiros.
Apesar das condições adversas, Washington Luiz afirma que Goiás reduziu em cerca de 40% a área atingida pelo fogo. O resultado foi atribuído à descentralização, à atuação integrada com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e às operações de fiscalização.
Ações contra incêndios criminosos também levaram a prisões durante o período de estiagem. Caso a previsão de falta de chuva em outubro e novembro se confirme, a estrutura de combate deverá continuar mobilizada, enquanto a disponibilidade de água nos mananciais será acompanhada de perto.








