O Ministério Público afirmou nesta sexta-feira, 2, que os policiais militares acusados pela morte do advogado Davi Sebba tentaram extorqui-lo. Para a acusação, a abordagem não saiu como planejado e os agentes construíram uma narrativa para justificar o assassinato e atacar a reputação da vítima.
Em plenário, o promotor Esli Gomes disse que a imagem de Davi foi associada ao tráfico durante 14 anos. “É policial sem farda, é traficante sem droga, é vítima sem arma e um filho sem o pai há 14 anos”, declarou.
Perícia e alterações na cena
A promotoria sustentou que a tentativa de classificar Davi como criminoso serviu para apoiar a versão de que ele teria reagido à abordagem. As provas periciais, porém, não confirmariam essa hipótese.
A perícia não encontrou digitais do advogado na arma apresentada pelos policiais. Também não foram identificados resíduos de disparos nas mãos de Davi. O Ministério Público apontou ainda que a cena do crime teria sido alterada. Não havia estojos de munição no local, e os vestígios analisados apresentavam mudanças, segundo a acusação.
A promotoria contestou também a versão de que os policiais encontraram maconha no estacionamento de um supermercado dias depois do assassinato. De acordo com o MP, o espaço passava por limpeza diária.
Depoimentos e pressão sobre testemunhas
Para a acusação, os acontecimentos indicam uma tentativa de esconder a abordagem que terminou na morte do advogado. O MP apontou contradições entre os depoimentos prestados pelos policiais à Corregedoria da PM e à Polícia Civil.
A promotoria citou um relatório que classificava Davi como integrante de uma organização criminosa. Segundo o órgão, a associação ao crime organizado fazia parte da estratégia para justificar a morte e prejudicar a imagem do advogado.
O Ministério Público mencionou ainda investigações da Operação Madeira de Lei, da Polícia Federal, envolvendo policiais suspeitos de vazamento de informações. Outro ponto levado aos jurados foi a suposta coação de testemunhas, que teriam sido pressionadas a depor a favor dos agentes.
Depois da análise técnica das provas, o MP exibiu fotografias de Davi na infância. A promotoria buscou destacar a história pessoal do advogado diante da acusação de que ele teria sido transformado em culpado pela própria morte.








