GOIÂNIA — Quatorze anos após a morte do advogado Davi Sebba Ramalho, três policiais militares começaram a ser julgados pelo Tribunal do Júri. Ednailton Pereira de Souza, Luiz Frederico de Oliveira e Jonathas Atenevir Jordão respondem por homicídio. O julgamento teve início nesta quinta-feira, 1º, e prossegue nesta sexta-feira, 2.
Davi foi morto em 5 de julho de 2012, dentro do próprio carro, no estacionamento de um supermercado na região da Avenida T-9, em Goiânia. Na época, a Polícia Militar informou que os agentes receberam uma informação de que o advogado estaria no local para encontrar um comprador de drogas.
Investigação e versões em disputa
O processo reúne questionamentos sobre provas periciais, imagens de segurança e versões apresentadas ao longo da investigação. Após os disparos, o carro bateu contra uma pilastra. Um dos pontos debatidos é a arma semelhante a um revólver calibre .38 que teria sido encontrada no banco do passageiro.
O delegado da Polícia Federal Bruno Pereira Pinto Gama afirmou que laudos indicavam que outros objetos foram deslocados pelo impacto, enquanto a arma permaneceu em uma posição considerada incompatível com a dinâmica observada. Ele também relatou que o exame nas mãos de Davi não encontrou resíduos de pólvora.
Segundo o delegado, nenhuma droga foi localizada no estacionamento no dia da morte. Uma porção de maconha só foi encontrada três dias depois, em uma área de pasto próxima ao supermercado.
A investigação também tentou obter imagens das câmeras do estabelecimento. Mesmo após autorização judicial, foram disponibilizadas apenas gravações das entradas e cancelas. Uma testemunha havia informado que existiam quatro equipamentos no estacionamento e que uma câmera capaz de registrar diretamente o local estaria queimada.
Família acompanha o julgamento
Pedro Ivo, irmão de Davi, acompanhou o primeiro dia do júri e disse esperar a condenação dos acusados, embora reconheça o direito de defesa dos policiais. Ele afirmou que a morte desestruturou a família e afetou o desenvolvimento de Gabriel Davi, filho do advogado, que nasceu na mesma noite do crime.
Do outro lado, Isadora Jordão, esposa de Jonathas Atenevir Jordão, declarou esperar a absolvição do marido. Ela disse que o policial havia saído de casa para trabalhar na Polícia Militar.
A situação processual dos acusados mudou com o passar dos anos. Em 2017, Jonathas foi pronunciado por homicídio simples, enquanto Ednailton e Luiz foram impronunciados. Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás acolheu recurso da acusação para incluir a qualificadora de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. Em 2023, decisão determinou que os três fossem submetidos ao Tribunal do Júri.
A decisão final caberá ao Conselho de Sentença.








