Rio de Janeiro, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Brasil debate como transformar terras raras em tecnologia e indústria
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Brasil debate como transformar terras raras em tecnologia e indústria

A exploração em Goiás reacende a discussão sobre processamento, pesquisa, formação profissional e valor agregado no país.

A corrida pelas terras raras coloca o Brasil diante de uma escolha: continuar como fornecedor de matéria-prima ou participar das etapas industriais e tecnológicas que transformam esses minerais em produtos de maior valor agregado.

Esses minerais são usados em motores elétricos, equipamentos eletrônicos, energia renovável, defesa, ímãs de alto desempenho e diferentes aplicações industriais. Por isso, deixaram de ser apenas um tema da mineração e passaram a integrar debates sobre política industrial, tecnologia e estratégia econômica.

A Constituição estabelece que os recursos minerais pertencem à União, enquanto a Agência Nacional de Mineração relaciona os minerais críticos e estratégicos à soberania, à segurança econômica e tecnológica e aos riscos de concentração das cadeias internacionais.

O papel de Goiás

Minaçu entrou no mapa internacional das terras raras com o projeto da Serra Verde. Em maio, o Cade informou a abertura de um procedimento para analisar uma operação envolvendo a empresa e a norte-americana USA Rare Earth. O caso também inclui um acordo de fornecimento de 15 anos para a produção da primeira fase do projeto.

A discussão proposta para Goiás vai além do volume extraído, dos empregos gerados e da arrecadação de impostos e royalties. O foco é saber quanto da riqueza pode permanecer no estado na forma de conhecimento, tecnologia, empresas, pesquisa e profissionais qualificados.

Entre as possibilidades estão centros de pesquisa, laboratórios, bolsas acadêmicas, startups, empresas de engenharia, projetos de processamento e iniciativas de inovação. A atividade mineral também poderia apoiar a formação de profissionais em áreas como geologia, química, engenharia de materiais, mineração, tecnologia industrial e gestão ambiental.

A legislação estadual já criou instrumentos para esse debate. A Lei Estadual nº 23.597/2025 instituiu a Autoridade Estadual de Minerais Críticos de Goiás e o Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Minerais Críticos. As diretrizes do fundo incluem pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, formação e retenção de capital humano, infraestrutura, recuperação ambiental e atração de empreendimentos de maior valor agregado.

Política nacional

A Lei nº 15.506/2026 criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Entre os objetivos estão a ampliação da agregação de valor em território nacional e o estímulo à pesquisa, à lavra, ao beneficiamento, à transformação e à mineração urbana.

A política também abre espaço para discutir como as decisões nacionais chegarão aos territórios produtores. Em Goiás, isso envolve reivindicar participação nas decisões, defender investimentos em infraestrutura e pesquisa e acompanhar os compromissos assumidos pelos empreendimentos.

Transparência é outro ponto central: produção, arrecadação, retorno ao território, empregos qualificados, investimentos em pesquisa e participação da cadeia produtiva no Brasil estão entre os dados que podem ser monitorados.

A presença de capital estrangeiro não precisa ser incompatível com o interesse nacional. Investimentos internacionais podem trazer recursos, tecnologia, mercados e capacidade produtiva. A negociação, porém, pode incluir conhecimento, processamento, pesquisa, formação profissional, desenvolvimento industrial e transferência tecnológica.

A questão é evitar que o Brasil exporte recursos naturais e depois importe produtos de maior valor agregado feitos a partir deles. Para Goiás, o desafio é fazer de Minaçu mais do que um polo de extração, com uma rede envolvendo universidades, institutos federais, centros de pesquisa, governo e empresas.

A jazida é finita, mas o conhecimento produzido a partir dela pode permanecer. O debate sobre as terras raras, portanto, envolve não apenas o valor da reserva, mas a capacidade de transformar riqueza mineral em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico no país.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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