Daniel Vorcaro prometeu manter os repasses para Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, mesmo quando o Banco Master enfrentava risco de liquidação pelo Banco Central. A mensagem foi enviada cerca de 4 semanas antes da prisão do ex-banqueiro no caso envolvendo a instituição financeira.
O conteúdo foi divulgado na 6ª feira (11.set.2026), após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo de processos relacionados às investigações sobre o banco. Entre os documentos estão conversas sobre o financiamento do filme e a rede de influência atribuída a Vorcaro.
Em 22 de outubro de 2025, Vorcaro escreveu a Thiago Miranda, publicitário e então dono do portal LeoDias, que havia liberado mais uma parcela e pediu desculpas pelos atrasos. “Apesar de qualquer tempestade vou até o fim com isso”, afirmou o ex-banqueiro, ao dizer que dava prioridade ao projeto.
À época, o Banco Master passava por dificuldades que poderiam levar à liquidação pelo Banco Central. Depois, a instituição foi liquidada, após uma tentativa não concluída de aquisição pelo BRB (Banco de Brasília).
Mensagens sobre pagamentos
O assunto voltou às conversas em 30 de outubro de 2025. Miranda encaminhou a Vorcaro uma mensagem atribuída ao senador Flávio Bolsonaro, segundo a qual o contrato havia chegado, mas o depósito ainda não. O pagamento estava relacionado ao filme.
No dia seguinte, 31 de outubro, Miranda enviou novas mensagens atribuídas ao senador, pedindo ajuda para resolver a falta do recurso. Vorcaro respondeu que a transferência havia voltado e seria feita novamente em poucos dias.
As conversas integram as investigações sobre o financiamento de Dark Horse. A Polícia Federal aponta Flávio Bolsonaro como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas sobre o projeto.
As apurações também indicam que executivos do Banco Master e do BRB ajustaram uma transferência de cerca de R$ 12 bilhões sem documentação e em violação às normas regulatórias, com o objetivo de evitar a quebra do banco privado.








