GOIÂNIA — Em 1989, Zuenir Ventura ligou para a redação do Diário da Manhã e convidou um jornalista de Goiânia para trabalhar no Rio de Janeiro. A proposta surgiu depois que o escritor leu uma resenha sobre o livro “1968 — O Ano Que Não Terminou”, cuja primeira edição havia sido publicada naquele ano.
O contato aconteceu na sede do jornal, na Avenida 24 de Outubro, no bairro Campinas, perto do Estádio Antônio Accioly e do Cemitério Santana. O jornalista foi chamado à portaria para atender ao telefone e, inicialmente, desconfiou que a ligação fosse um trote.
Zuenir explicou que havia recebido o número por meio de Washington Novaes, com quem o jornalista tinha editado um livro-caderno sobre a Ferrovia Norte-Sul na segunda metade da década de 1980. O escritor disse ter gostado da resenha, especialmente da identificação de erros, e afirmou que faria as correções. Também pediu desculpas pelas falhas.
Durante a conversa, Zuenir perguntou sobre a formação do jornalista, que era graduado em Jornalismo e História e havia iniciado Filosofia. Ele também contou com a recomendação de Washington Novaes, paraninfo da turma de Jornalismo e responsável por indicar seu contato.
“Se quiser, venha para o Rio de Janeiro e eu me encarrego de achar um local para você trabalhar, talvez no ‘Jornal do Brasil’”, disse Zuenir, segundo o relato. O escritor ainda ofereceu sua casa para a estadia inicial.
A mudança que não aconteceu
Dias depois, o jornalista conversou com Washington Novaes e recebeu apoio para aceitar a proposta. Em seguida, comunicou a Batista Custódio, editor-geral do Diário da Manhã, que pretendia deixar Goiânia. O editor suspeitou que o objetivo fosse conseguir aumento de salário.
No dia seguinte, Batista Custódio chamou o jornalista à sala, na presença de Luiz Contart, e ofereceu um reajuste, propondo que os dois voltassem a conversar sobre a mudança depois de dois meses. O jornalista aceitou e acabou permanecendo em Goiânia.
Ele nunca mais falou com Zuenir Ventura, mas leu todos os seus livros. O relato também registra a continuidade da amizade e das conversas com Washington Novaes, além do interesse por meio ambiente desenvolvido a partir dessa convivência.
O arquivo do Diário da Manhã está no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A resenha procurada pode estar entre os documentos guardados pela instituição.







