A comparação com outras mulheres pode transformar conquistas em motivo de insegurança, vergonha e inveja. Em sua coluna para a Vogue, a antropóloga Mirian Goldenberg afirma que esse hábito faz com que muitas mulheres enxerguem apenas aquilo que lhes falta e deixem de reconhecer suas próprias características.
Jamie Lee Curtis resumiu esse mecanismo na frase “Compare e se desespere”. A atriz contou que precisou abandonar o costume de se medir por outras mulheres, como Kate Middleton e Judi Dench, porque sempre terminava se sentindo em desvantagem.
Adriana Esteves também rejeitou a lógica da competição. Ao ser questionada sobre cinco atrizes que admirava, citou Gloria Pires, Renata Sorrah, Claudia Abreu, Fernanda Montenegro e Nathalia do Valle. Para ela, a palavra mais adequada era admiração, não inveja: “Não dá para comparar, não gosto de comparações. É uma grande cilada.”
Madonna relatou uma experiência parecida ao falar sobre a filha, Lourdes. A cantora disse sentir inveja dos talentos da jovem, que dança, atua e toca piano. Ao mesmo tempo, reconheceu que a inveja aparece quando alguém deseja o que outra pessoa tem e deixa de valorizar as próprias capacidades.
O efeito sobre a autoestima
Em uma pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, Goldenberg ouviu uma psicóloga de 57 anos que descreveu comparação e inveja como forças prejudiciais à felicidade. A mulher relatou que se mede constantemente por mulheres que considera mais bonitas, jovens, talentosas, confiantes ou felizes.
Esse processo, segundo o relato, corrói a autoconfiança e a autoestima. Mesmo depois de alcançar sucesso e reconhecimento, a pessoa continua encontrando alguém que parece ter alguma vantagem. O resultado é uma atenção concentrada nos defeitos e nas ausências, como se as realizações anteriores perdessem valor.
Depois de quase quatro décadas de pesquisas com milhares de mulheres de idades diferentes, Goldenberg propõe observar o instante em que a comparação começa a diminuir cada uma. A pergunta, nesse momento, é o que está sendo desvalorizado e qual gatilho provocou a insegurança, a vergonha ou a inveja.
Para a antropóloga, o problema não está somente em reduzir o próprio valor. A comparação também impede que sejam percebidos os aspectos singulares de cada mulher. Ao tentar medir a própria importância pelo que aparece nas outras, perde-se justamente aquilo que não cabe em nenhuma régua: o que torna cada pessoa única e incomparável.








