RIO DE JANEIRO — Dadá Coelho apresenta até 23 de outubro o espetáculo “Cuscuz na Mão” em 13 espaços culturais do Rio de Janeiro. A montagem mistura gastronomia, humor e afeto para revisitar a trajetória da humorista, suas origens no Piauí e as experiências que moldaram sua atuação artística e política.
Aos 19 anos, Dadá deixou Floriano, cidade com pouco mais de 60 mil habitantes, para cursar Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Ela foi a primeira de sua família a fazer uma faculdade. Criada em uma família com 11 mulheres e dois homens, conta que rompeu expectativas ao escolher os estudos em vez do casamento.
O cuscuz apresentado no espetáculo também é uma lembrança da mãe, que morreu na pandemia e lhe deu uma cuscuzeira antes de partir. Para Dadá, o alimento representa memória e identidade nordestina. “Esse cuscuz é uma homenagem a ela”, afirma.
Preconceito e superação
A humorista relata ter enfrentado xenofobia, machismo e descredibilização profissional por ser nordestina e mulher. Ela diz que precisou estudar, se fortalecer e construir a própria trajetória diante dos comentários sobre sua origem e sua aparência.
Dadá também conta ter vivido uma relação abusiva, na qual quase morreu e ficou com uma cicatriz no ventre. Com apoio de uma rede próxima e terapia, conseguiu sair. A experiência deu origem a um espetáculo e contribuiu para sua participação no programa de Jô Soares.
Casamento com Paulo Betti
Casada com o ator Paulo Betti desde 2015, Dadá descreve a relação como um espaço de escuta, diálogo, incentivo e liberdade. Ela afirma que não acredita em união eterna, mas se orgulha da história construída ao longo de 11 anos.
O casal também mantém o humor como parte da convivência. “Quando pararmos de rir, podemos chamar os advogados, porque acabou”, diz a humorista.
Aos 51, Dadá afirma que envelhecer traz mais clareza sobre o que considera inegociável. Na arte, ela relaciona humor, identidade e sobrevivência, usando experiências pessoais, luto e superação como matéria para seus projetos.








