Em uma pequena cidade do interior de Goiás, o libanês Salim vendia de tudo em sua loja de secos e molhados. Entre querosene, rapadura e fumo de rolo, também oferecia botinas. Foi ali que apareceu Zé Custódio, conhecido por pechinchar e chamado de Zé Custoso.
O freguês experimentou um par marrom e ouviu do comerciante que a botina era resistente, não deixava a água entrar e durava muito. Salim pediu cem mil-réis. Zé Custódio tentou reduzir o valor, sugeriu cinquenta e ainda propôs levar o produto fiado. O vendedor recusou, lembrando que o cliente nunca pagava.
A conversa avançou sem que os dois chegassem a um acordo sobre o pagamento. Salim então baixou o preço para setenta mil-réis. Zé Custódio contrapôs sessenta e cinco, ouviu sessenta e oito e fechou em sessenta e nove.
Salim embrulhou as botinas e pediu o dinheiro. O freguês, porém, alegou não ter nenhum. Do bolso, tirou apenas um lenço, dois botões, um pedaço de fumo e uma moeda de tostão. Mesmo assim, calçou novamente o par e saiu da venda.
Na porta, Salim cobrou o pagamento. Zé Custódio respondeu que pagaria quando tivesse dinheiro — ou quando a botina acabasse. Como o comerciante havia dito que o calçado duraria bastante, o freguês concluiu que ainda haveria muito tempo até a quitação.
De volta ao interior da loja, Salim registrou no livro-caixa: “Zé Custódio— 69 mil-réis — venda fiada.” Depois, riscou a anotação e escreveu embaixo.








