Rio de Janeiro, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Após emagrecer, mulheres relatam mais atenção e respeito no dia a dia
Foto: Reprodução/Instagram
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Após emagrecer, mulheres relatam mais atenção e respeito no dia a dia

Letícia Schmidt e Carolina Araújo descrevem mudanças no atendimento, nas relações sociais e até nas consultas médicas depois da perda de peso.

Mulheres relatam ter passado a receber mais atenção, gentileza e cuidado depois de emagrecer. Os efeitos aparecem em situações cotidianas, como atravessar a rua, entrar em uma loja ou buscar atendimento médico, e são associados por uma psicóloga ao estigma contra pessoas gordas.

A médica Letícia Schmidt perdeu 50 kg e percebeu a mudança ao voltar para o próprio apartamento depois de passar um período na casa dos pais. Na ocasião, um porteiro ofereceu ajuda para carregar suas malas — algo que, segundo ela, nunca havia acontecido antes.

A engenheira Carolina Araújo, de 32 anos, emagreceu 65 kg. Ela afirma que hoje os carros param com mais frequência quando tenta atravessar a rua e que o atendimento em lojas e restaurantes ficou mais rápido. Também diz que as pessoas passaram a conversar mais com ela.

Diferenças no atendimento médico

Carolina conta que o tratamento recebido em consultas também mudou. Antes, a obesidade era usada como explicação para diferentes sintomas, enquanto agora ela percebe mais investigação e atenção ao que relata.

A psicóloga Amanda Marchenta, especialista em comportamento alimentar, explica que o corpo funciona como uma informação social e influencia a primeira impressão. Segundo ela, a magreza costuma ser relacionada a beleza, disciplina, autocontrole, saúde, juventude e sucesso. Pessoas gordas, por outro lado, são alvo de associações injustas com preguiça, descontrole e falta de cuidado.

Esse aprendizado começa cedo, dentro das famílias, e é reforçado por colegas, comparações, apelidos, bullying, exclusão, conversas sobre dietas e elogios ao emagrecimento. As redes sociais também ampliam a difusão desse padrão.

Reconhecimento e sofrimento

Para Marchenta, é importante distinguir a vontade de mudar o corpo da sensação de que emagrecer é necessário para conquistar respeito, pertencimento e dignidade. A melhora no tratamento não elimina a injustiça do sistema que valoriza determinados corpos.

Letícia diz que passou a reconhecer um privilégio que tinha quando era magra. Ela conta que, embora continue sendo a mesma pessoa, hoje costuma ser mais ouvida. Carolina compara a mudança à chegada de um holofote: depois de emagrecer, as pessoas passaram a querer saber sobre sua rotina, alimentação e vida pessoal.

A engenheira afirma que cuidou do corpo em busca de força, autonomia e disposição, e não para ser aceita. Ainda assim, a psicóloga alerta que a aprovação recebida pode levar ao medo de engordar, à vigilância constante e à restrição alimentar.

Marchenta afirma que o desejo de emagrecer não deve ser interpretado apenas como uma questão estética. Ele também pode envolver a busca por aceitação, respeito, pertencimento e reconhecimento social.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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