NITERÓI — O município chegou a 18 meses sem registrar feminicídios, marco que foi discutido em um seminário sobre prevenção e combate à violência contra meninas e mulheres. A conversa reuniu representantes da segurança pública, da gestão municipal, da pesquisa e da Guarda Municipal.
A rede de atendimento de Niterói reúne nove equipamentos de proteção e acolhimento. Saúde, educação, assistência social, segurança e geração de renda atuam em diferentes etapas do acompanhamento, com serviços de assistência jurídica, psicológica e social, além da Casa Acolher.
Nos casos de maior risco, a Patrulha Maria da Penha pode encaminhar a mulher para a Casa Acolher Bárbara Siqueira, inclusive com os filhos. O espaço oferece suporte enquanto ela reorganiza aspectos da vida afetados pela violência.
A coordenadora da Patrulha Maria da Penha, Francine Lima, afirmou: “Não existe perfil. Toda mulher merece um olhar cuidadoso, uma escuta humanizada e um acolhimento feito por quem está preparado para ajudá-la a romper o ciclo da violência.”
Prevenção e acesso aos serviços
Niterói também instalou totens em áreas de grande circulação, com informações sobre os serviços disponíveis, QR Codes e indicações dos locais de atendimento. A iniciativa foi pensada para alcançar inclusive mulheres sem internet ou sem celular. A Guarda Municipal pode ser acionada 24 horas pelo telefone 153.
A secretária municipal das Mulheres, Thaiana Ivia, ressaltou que o período sem registros de feminicídio não significa o fim da violência. Segundo ela, agressões psicológicas, morais e patrimoniais ainda podem não ser reconhecidas pelas vítimas ou não aparecer nas estatísticas oficiais.
A pesquisadora Schuma Schumaher defendeu que a prevenção comece na educação de crianças e adolescentes. Para ela, a mudança cultural depende do enfrentamento ao machismo e da participação dos homens na transformação da sociedade.
A delegada Elisa Borboni destacou que a violência de gênero também aparece fora do ambiente doméstico, em comentários, conversas, mensagens e situações presenciadas nas ruas. Ao encerrar a mesa, ela alertou que parte dos casos não chega às delegacias, aos serviços de atendimento ou aos registros oficiais.








