Boris Rýji foi poeta e geólogo e transformou em versos o sentimento de perda provocado pelo desmoronamento da União Soviética. Nascido em 8 de setembro, ele completaria 52 anos se estivesse vivo. Rýji morreu em 2001, aos 26 anos.
Em três poemas traduzidos do russo por Astier Basílio, aparecem lembranças da cidade de Sverdlovsk, antigo nome de Ekaterimburgo no período soviético, e do bairro de Vtorchermet, onde o poeta viveu. A paisagem reúne pátio escolar, neve, fábricas, policiais, dominó, vinho e os escombros deixados pela mudança histórica.
No primeiro poema, o eu lírico imagina a própria morte longe de casa e pede que seu pó seja levado para Sverdlovsk. A cidade surge ligada aos amigos mortos, às marcas da Perestroika e à Plastpolímer, fábrica próxima de Vtorchermet que entrou em falência em 2021. Ao fim, vivos, bandidos e poetas aparecem reunidos na imagem de um álbum azul.
O segundo texto retorna a uma noite de verão em que Iessiênin era lido, um policial bebia vinho e a União Soviética ainda fazia parte do cotidiano. Dezessete anos depois, a volta ao mesmo lugar encontra ausência, escuridão e a memória do jardim. “Quem morre vira sombra, que de lá me acene”, escreve o poema, antes de reunir Iessiênin, a URSS, o dominó e os escombros na lembrança do narrador.
No terceiro, uma cigana é convidada a prever a morte. A resposta mistura família, amizade rompida e culpa. O narrador permanece vivo enquanto outros desapareceram. A cena termina quando a feira toca um proibidão e o céu começa a clarear.








