Rio de Janeiro, Sábado, 26 de setembro de 2026
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Literatura francesa encara crise de identidade após os atentados de 2015
Brasil

Literatura francesa encara crise de identidade após os atentados de 2015

Debate em Goiânia reuniu reflexões sobre Hemingway, Houellebecq, Carrère, religião, liberdade e o futuro da França.

A literatura francesa passou a enxergar identidade, religião, imigração e liberdade de expressão como sinais de uma crise mais profunda: a dificuldade de uma sociedade em acreditar na própria continuidade. Essa foi a linha central de um debate realizado no último dia 19, em Goiânia, dentro do projeto “Paris é uma festa!”, do Circuito Literário do Sesc-Goiás.

O ponto de partida foi Ernest Hemingway e a Paris do pós-guerra, cidade que recebeu escritores como Fitzgerald, Dos Passos, e. e. cummings e Gertrude Stein. Em 1926, Hemingway publicou “O Sol Também se Levanta”, associado à ideia de uma geração perdida. Décadas depois, suas memórias parisienses seriam reunidas em “Paris é uma Festa”, livro concluído no fim da vida e publicado por sua viúva três anos após sua morte.

O romance e o atentado

A reflexão avançou até 7 de janeiro de 2015. Naquele dia, “Submissão”, de Michel Houellebecq, chegou às livrarias. O romance apresenta uma França do futuro próximo submetida a uma nova ordem religiosa e política. Na mesma data, dois homens armados invadiram a redação do “Charlie Hebdo” e mataram doze pessoas.

A coincidência aproximou literatura e história. Houellebecq imaginou uma sociedade em processo de desorientação; o atentado expôs a violência ligada à intolerância religiosa e atingiu uma comunidade de leitores, jornalistas e colegas.

O debate também recuperou as perguntas de Marcel Gauchet sobre a possibilidade de manter uma comunidade sem transcendência e as de Alain Finkielkraut sobre a preservação de uma cultura sem transmissão. A análise apresentada apontou que a retirada da religião não eliminou a necessidade de crença: parte dessa intensidade teria migrado para a liberdade, a soberania popular e o edifício republicano.

Em “V13”, Emmanuel Carrère acompanha o julgamento dos acusados pelos atentados de 2015 contra o “Charlie Hebdo”, o Bataclan e os arredores do Stade de France. Martim Vasques da Cunha colocou Carrère e Houellebecq lado a lado: um cronista dos fatos e outro autor de uma distopia que ganhou nova leitura após os ataques.

O encontro em Goiânia foi apresentado como uma forma de reconstruir, por meio de livros e debates, um ritual cultural capaz de criar vínculos. A literatura, nessa perspectiva, não prevê o futuro, mas identifica seus sinais antes que eles se transformem em manchetes.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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