Rio de Janeiro, Sábado, 3 de outubro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Como a Cepal ajuda a interpretar a Revolta do Norte de Goiás
Foto: Teotônio Segurado Retrato reprodução1300 p 867
Brasil

Como a Cepal ajuda a interpretar a Revolta do Norte de Goiás

A estrutura econômica do Norte goiano em 1821 é analisada à luz das ideias de centro, periferia e apropriação do excedente.

A Revolta do Norte de Goiás, em 1821, é analisada a partir de conceitos que seriam desenvolvidos posteriormente pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), criada pelas Nações Unidas em 1948. A interpretação relaciona o movimento autonomista liderado por Joaquim Teotônio Segurado aos problemas de transporte, tributação, comércio e dependência econômica enfrentados pela região.

A Cepal, com a contribuição de Raúl Prebisch e Celso Furtado, questionou a ideia de que o comércio internacional distribuiria naturalmente seus benefícios de maneira equilibrada. Seus estudos passaram a observar a relação entre centro e periferia, a estrutura produtiva, a desigualdade das trocas e a apropriação do excedente.

Produção e dependência

O Norte goiano produzia gado, couro, ouro e outros produtos, mas dependia de mercadorias vindas de outros centros, como sal, ferro, aço, ferramentas e tecidos. As dificuldades de transporte e comunicação, somadas à distância em relação ao centro político da Capitania, limitavam a circulação e aumentavam os custos.

Teotônio Segurado atribuiu importância à navegação do Tocantins e às relações comerciais com o Pará. A abertura de novas rotas poderia ampliar o acesso a mercados, reduzir custos e oferecer aos produtores mais condições para vender sua produção e comprar os bens necessários ao consumo e à atividade econômica.

Em 1821, no contexto da Revolução Liberal do Porto e das transformações no mundo português, a insatisfação regional assumiu forma política. O movimento defendia um governo próprio para o Norte, separado da administração sediada no centro-sul goiano.

A contestação também envolvia tributos relacionados à saída de gado, à décima, ao papel selado e à entrada de mercadorias. A questão, portanto, não se restringia a quem administraria a região. Envolvia também as condições de circulação da riqueza produzida localmente.

Uma leitura posterior

A região vendia principalmente produtos primários e buscava fora parte dos instrumentos necessários para ampliar a própria capacidade produtiva. Isso permite identificar uma estrutura assimétrica de produção, comércio, tributação e poder político, sem afirmar a existência da deterioração dos termos de troca no sentido rigoroso formulado posteriormente por Prebisch.

Para demonstrar essa deterioração, seriam necessárias séries históricas consistentes dos preços dos produtos vendidos e comprados pela região. O que se pode observar é a dificuldade de transformar o excedente produzido em infraestrutura, diversificação produtiva, produtividade e incorporação do progresso técnico.

A análise não afirma que Segurado tenha antecipado as ideias de Prebisch ou Furtado. Ele enfrentou, no início do século 19, problemas concretos de isolamento, tributação, comércio e administração. A Cepal, criada no século 20, ofereceu categorias posteriores para interpretar como uma economia pode gerar riqueza e continuar em posição periférica.

A autonomia do Norte, assim, aparece ligada à disputa por decisões sobre os recursos produzidos no território. Política e economia estavam entrelaçadas no movimento, que buscava alterar as condições de circulação das mercadorias e ampliar a capacidade regional de definir seus próprios caminhos de desenvolvimento.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5