Dalísia Elizabeth Martins Doles foi historiadora, professora e gestora pública. Nascida em Cuiabá (MT), em 1934, formou-se em História pela Universidade de São Paulo (USP) e iniciou a carreira docente em Goiás, em 1963.
Ela lecionou no Colégio Estadual de Goiânia e na Universidade Católica de Goiás. Em 1967, ingressou na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde conquistou, dois anos depois, a titularidade em História Econômica e História do Brasil. Em 1972, concluiu o doutorado em História Econômica pela USP.
Atuação acadêmica e política
Doles fundou o Programa de mestrado em História das Sociedades Agrárias da UFG. Durante a ditadura civil-militar brasileira, entre 1964 e 1985, assumiu uma postura de enfrentamento e abrigou perseguidos políticos em sua residência.
A historiadora também ocupou o cargo de secretária municipal de Educação de Goiânia, entre 1983 e 1986. Sua atuação em defesa de uma escola plural, participativa e inclusiva a aproximou do movimento de redemocratização brasileira.
Na pesquisa, dialogava com a história social e priorizava os sujeitos coletivos e as instituições. No texto “A Santa Casa e os hospitais pioneiros de Goiânia”, de 1999, relacionou práticas médicas, instituições e dinâmicas sociais.
Para Heliane Prudente Nunes, Doles tinha uma produção “fértil e generosa” e reconhecia a função social da historiadora.
Dalísia Doles morreu aos 63 anos, em maio de 2000. Deixou trabalhos como “As Comunicações Fluviais pelo Tocantins e Araguaia no Século XIX”, tese publicada em 1973; “Arquivos Cartoriais Anápolis Catalão Jataí”, de 1984; e “A Primeira Fase da Ocupação Agrícola de Goiás 1890-1945”, artigo de 1988.
Sua trajetória combinou resistência política, produção de conhecimento e compromisso com a democracia, a justiça social e a valorização da história como instrumento de transformação.








