Declarações feitas por Alexandre de Moraes nos últimos anos voltaram ao debate após a Polícia Federal apresentar informações sobre a relação do ministro com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro. O plenário do Supremo Tribunal Federal discute os desdobramentos do caso Master nesta terça-feira, 15.
Entre os elementos da investigação estão mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes nos dias anteriores à prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025. A PF recuperou as mensagens enviadas por Vorcaro, mas não encontrou as respostas atribuídas ao ministro. Segundo o relatório policial, os retornos teriam sido encaminhados pelo recurso de visualização única do WhatsApp.
Moraes nega as conversas e classificou as acusações como uma “farsa”. A investigação também trata de um contrato entre o Banco Master e a banca de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O escritório confirmou que Moraes participou da revisão de um dos documentos.
As falas que voltaram a circular abordam temas como apagamento de mensagens, decisões colegiadas, independência do Judiciário e democracia. Em abril de 2025, durante entrevista à revista norte-americana The New Yorker, Moraes disse que brincava com a equipe de segurança que “o herói do filme precisa continuar”.
Durante o julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, o ministro classificou a possível exclusão de mensagens de um celular como demonstração de “desprezo para com o Poder Judiciário e a ordem pública”. O relatório citado no voto indicava uma interrupção nas conversas armazenadas entre dezembro de 2022 e a primeira quinzena de fevereiro de 2023.
Em março, o gabinete de Moraes rejeitou informações sobre possíveis contatos com Vorcaro e afirmou que se tratava de uma “ilação mentirosa”. Depois, o relatório da PF mencionou encontros e mensagens enviadas pelo ex-banqueiro ao ministro, inclusive em período próximo à prisão de Vorcaro.
Colegialidade e independência
Em agosto de 2025, Moraes afirmou que o Judiciário é um órgão colegiado, formado para que seus integrantes corrijam eventuais equívocos uns dos outros. A colegialidade voltou ao centro da discussão no Supremo, que analisa a condução dos procedimentos e a participação dos ministros.
Flávio Dino divergiu do presidente Edson Fachin e defendeu que os casos relacionados a Moraes e André Mendonça fossem analisados conjuntamente.
Em discurso no Senado, em 2022, Moraes também defendeu a independência judicial diante de pressões externas. Em agosto de 2025, afirmou que a democracia vinha sendo atacada de forma jamais vista desde o período de redemocratização posterior à Segunda Guerra Mundial.
Na véspera da sessão, o ministro disse que as acusações resultavam de uma “farsa” e de uma tentativa de vingança política. Cabe ao Supremo definir o tratamento jurídico dos elementos apresentados pela Polícia Federal e se há fundamento para novas medidas investigativas.









