Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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IA ajuda a revelar receitas médicas em manuscrito cifrado do Vaticano
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IA ajuda a revelar receitas médicas em manuscrito cifrado do Vaticano

A Cifra Borg, com 408 páginas, reúne receitas medicinais e foi parcialmente decifrada com inteligência artificial e análise humana.

Um manuscrito de 408 páginas preservado na Biblioteca do Vaticano começou a ser decifrado com o apoio de ferramentas de inteligência artificial. Conhecido como Cifra Borg, o documento permaneceu por mais de quatro séculos sem que pesquisadores conseguissem compreender integralmente seu conteúdo.

A obra combina símbolos e diferentes sistemas de cifragem. A única indicação disponível estava em uma inscrição na contracapa, que apontava a presença de informações sobre tratamentos para doenças do corpo humano. A complexidade dos códigos, porém, impedia a identificação precisa do material.

Receitas contra doenças

A análise de parte do manuscrito revelou receitas e métodos de tratamento utilizados para fins medicinais. Entre os exemplos estão preparações contra a disenteria, com recomendações que envolvem o consumo de vinho tinto e o uso de noz-moscada submetida a processos de fermentação.

Os especialistas identificaram dezenas de sistemas de cifragem. Em alguns trechos, símbolos diferentes podem representar a mesma letra. Em outros, determinados sinais parecem ter sido incluídos apenas para dificultar a interpretação. A codificação pode ter ajudado a proteger conhecimentos sobre ervas e tratamentos em um período no qual esse tipo de saber poderia ser associado a práticas ilícitas ou à bruxaria.

Antes das ferramentas computacionais, a busca por padrões exigiria comparações prolongadas entre símbolos, palavras e estruturas linguísticas. Tinta desbotada, páginas danificadas e caligrafia difícil de compreender também aumentam os obstáculos.

Transcrição com inteligência artificial

Uma das ferramentas usadas no estudo foi o Transkribus, sistema desenvolvido para trabalhar com manuscritos históricos. A tecnologia auxiliou no reconhecimento e na transcrição dos símbolos, convertendo o conteúdo em blocos de texto e linhas para análise digital.

O mesmo método foi aplicado a uma carta escrita em 1637 pelo nobre Sigismund Heusner von Wandersleben ao chanceler sueco Axel Oxenstierna, durante a Guerra dos Trinta Anos. Mesmo com intervenções e correções humanas, a ferramenta apresentou resultados considerados relevantes pelos pesquisadores.

A linguista computacional Beáta Megyesi, da Universidade de Estocolmo, e a professora Michelle Waldispühl, da Universidade de Oslo, destacaram o papel da tecnologia na análise de caracteres incomuns. A inteligência artificial reconhece padrões, transcreve sinais e testa possibilidades em velocidade superior à análise manual, mas a interpretação histórica e a validação das soluções continuam sob responsabilidade dos pesquisadores.

A Cifra Borg se soma a documentos históricos codificados que também passaram por técnicas de decifração, como cartas secretas de Maria Stuart. Esses registros revelaram informações sobre conspirações políticas e sobre a relação dela com o filho, Jaime 6º da Escócia, que depois se tornou Jaime 1º da Inglaterra. Pesquisadores estimam que parte dos arquivos históricos europeus ainda contenha documentos cifrados cujo conteúdo permanece desconhecido.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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