A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a possibilidade de investigação contra Alexandre de Moraes foi interrompida após um confronto entre o ministro e André Mendonça. O plenário volta às 14h, ainda sem nenhum voto registrado.
O presidente da Corte, Edson Fachin, informou que será analisada uma questão de ordem para suspender o julgamento até a semana que vem e reunir os casos relacionados. Na retomada, os ministros deverão decidir a ordem e o procedimento das análises previstas para 23 de setembro.
Troca de acusações
Moraes defendeu que os casos sejam examinados em conjunto. Para ele, não seria possível analisar o episódio desta terça-feira, 15, sem considerar o julgamento sobre a atuação de Mendonça, marcado para a semana seguinte. Durante a manifestação, questionou: “Quem tem medo da Polícia Federal?”.
Mendonça respondeu que a discussão não envolvia medo e afirmou que só trataria do assunto no momento de sua fala. Os dois ministros bateram boca durante a sessão.
Moraes disse ainda que relatórios da Polícia Federal solicitados por ele para apurar a conduta de Mendonça não eram apócrifos. Também afirmou que o colega pediu sua inclusão no caso por “estar a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”.
Antes disso, Moraes declarou ter testemunhas, entre policiais e advogados, sobre uma reunião em que Mendonça teria orientado que determinado pedido fosse feito. Mendonça classificou a afirmação como mentira.
Investigação sobre o Banco Master
A crise teve como um dos pontos centrais a decisão de Mendonça de retirar o sigilo de documentos da investigação sobre Daniel Vorcaro. Entre os materiais estão mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes, registros de encontros entre os dois e um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em manifestação enviada ao STF na segunda-feira, 14, Moraes negou irregularidades, favorecimento a Vorcaro ou ao Banco Master. Ele também disse nunca ter julgado processos ligados ao banqueiro ou à instituição e contestou a legalidade da investigação conduzida por Mendonça.
Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques se declararam suspeitos. O plenário ainda deverá decidir se os elementos reunidos justificam a abertura de investigação contra Moraes.








