RIO DE JANEIRO — O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira, 22, aos 95 anos, após enfrentar uma pneumonia. A Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual ele fazia parte desde 2014, confirmou a morte. Segundo familiares, Zuenir estava em casa e morreu enquanto dormia.
O velório está previsto para esta quarta-feira, 23, na sede da ABL. Depois, o corpo será levado ao mausoléu da Academia, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura, jornalista, e Elisa Ventura, editora.
Jornalismo e livros
Com mais de seis décadas de atuação, Zuenir acompanhou acontecimentos políticos, sociais e culturais do Brasil. Antes de se firmar no jornalismo, trabalhou como pintor de paredes, office-boy e arquivista. Também jogou basquete e foi professor.
A entrada nas redações ocorreu pela “Tribuna da Imprensa”, onde começou no arquivo antes de passar à reportagem. A experiência acumulada deu origem a livros que ampliaram o alcance de seu trabalho jornalístico.
Em 1988, publicou “1968 – O Ano que Não Terminou”, sobre os acontecimentos de duas décadas antes, marcados pelo endurecimento da ditadura militar no Brasil e por protestos e mudanças culturais em outras partes do mundo. A obra inspirou a minissérie “Anos Rebeldes”.
Em 1989, Zuenir foi ao Acre acompanhar as investigações sobre o assassinato de Chico Mendes. Durante a cobertura, conheceu Genésio, adolescente ameaçado e testemunha do caso. O jornalista assumiu a tutela do garoto, que viveu com sua família até completar 18 anos.
Após a chacina de Vigário Geral, que deixou 21 mortos no Rio de Janeiro em 1993, Zuenir acompanhou a realidade da comunidade. O trabalho resultou no livro “Cidade Partida”, publicado em 1994, sobre desigualdade, violência, exclusão e as distâncias sociais da cidade. A obra recebeu o Prêmio Jabuti.
Reconhecimento e ABL
Zuenir também venceu o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 2008, recebeu reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil.
Ele participou ainda de projetos audiovisuais. Em 2000, esteve na codireção de “Um Dia Qualquer”. Em seguida, assinou o roteiro do documentário “Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje”, dirigido por Izabel Jaguaribe.
Em outubro de 2014, foi eleito para a ABL e passou a ocupar a cadeira número 32, antes pertencente a Ariano Suassuna.








