O tavapadon, novo medicamento para a doença de Parkinson, recebeu autorização da agência que regula remédios e alimentos nos Estados Unidos. O comprimido oral de uso diário será vendido como Juvmo pela farmacêutica AbbVie e deve chegar às farmácias do país em outubro.
Indicado para adultos, o remédio poderá ser usado sozinho ou junto com a levodopa, base do tratamento tradicional. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda não tem previsão para analisar o registro do produto.
Como o medicamento atua
O tavapadon age sobre receptores de dopamina no cérebro, com atuação principal nos receptores D1 e D5, relacionados à função motora. A dopamina participa do controle dos movimentos, mas os neurônios responsáveis por produzi-la morrem gradualmente em pessoas com Parkinson.
A doença afeta mais de 11 milhões de pessoas no mundo. Entre os sintomas estão lentidão, rigidez, tremores, alteração da postura e perda de expressão facial. Também podem ocorrer prisão de ventre, perda do olfato, sono ruim, depressão e dores.
Com o avanço da doença, cada dose dos tratamentos pode durar menos. Os pacientes alternam períodos de boa mobilidade, chamados de “on”, com momentos de retorno dos sintomas, os “off”. O aumento da dose pode aliviar os sintomas, mas também provocar discinesias, que são movimentos involuntários.
Resultados e efeitos adversos
O principal estudo de fase 3, publicado em maio na JAMA Neurology, acompanhou 507 pessoas que usavam levodopa e passavam, em média, cinco horas e meia por dia no estado “off”. Depois de 26 semanas, o grupo que recebeu tavapadon ganhou 1,7 hora diária de boa mobilidade, contra 0,6 hora entre os participantes que receberam placebo. A diferença foi de 1,1 hora.
O tempo com sintomas caiu quase duas horas por dia entre os pacientes que tomaram o medicamento, o dobro da redução observada com placebo. O ganho de mobilidade ficou na mesma ordem do registrado com outros remédios usados junto com a levodopa. A possível vantagem apontada está na tolerância ao tratamento, e não em mais horas de mobilidade.
Reações foram relatadas por 71,7% dos pacientes que receberam tavapadon e por 55,1% dos que tomaram placebo. Enjoo, movimentos involuntários e tontura foram os efeitos mais frequentes. Cerca de 17% interromperam o tratamento por esse motivo.
A pressão arterial em pé caiu, em média, 8,6 mmHg entre os tratados, e 6% tiveram queda ao se levantar, contra 1,2% no grupo placebo. Compulsões apareceram em 2,4% dos pacientes tratados e em 1,2% do grupo placebo.
O tavapadon controla sintomas, mas não impede a morte dos neurônios. Seu efeito permanece enquanto o medicamento é usado, enquanto a doença continua avançando.









