Josimara Baré foi anunciada nesta terça-feira (15.09) como uma das vencedoras do Climate Breakthrough Award de 2026. Ela é a primeira mulher indígena brasileira a receber o reconhecimento e terá US$ 4 milhões para desenvolver uma iniciativa voltada ao financiamento de comunidades tradicionais.
O valor será concedido individualmente aos quatro selecionados da turma. Além de Josimara, foram escolhidos a francesa Delphine Lévi Alvarès, o zimbabuano Nyasha Frank Mpahlo e o brasileiro Valmir Ortega. O programa oferece financiamento flexível e plurianual para que os vencedores impulsionem ações contra a crise climática.
A proposta liderada por Josimara busca alterar a forma como recursos de filantropia e financiamento multilateral chegam aos povos da floresta. O ponto de partida é a diferença entre a participação indígena na proteção ambiental e o acesso direto ao dinheiro destinado ao clima: esses povos protegem mais de um terço das florestas intactas remanescentes do planeta, mas recebem diretamente menos de 5% das verbas mundiais para a área.
Fundo indígena e financiamento direto
Josimara participou da implementação do Fundo Indígena Rio Negro e hoje coordena o Fundo Indígena Rutî. Criado pelo Conselho Indígena de Roraima, o fundo já investiu em dezenas de projetos concebidos e administrados de forma autônoma pelas comunidades.
Com o novo aporte, a liderança pretende criar uma infraestrutura intercultural para financiamento direto. A estratégia prevê o fortalecimento de fundos liderados por indígenas e o trabalho com grandes financiadores globais para adaptar e aprimorar sistemas e práticas burocráticas.








