O poeta Adalberto de Queiroz apresenta em “Cantos” uma poesia que transita entre a fé católica, a experiência urbana e referências da literatura universal. A obra também reúne marcas de sua trajetória como leitor, cronista e autor dedicado à escrita.
A leitura de Nasr Fayad Chaul destaca o diálogo do poeta com nomes ligados à tradição clerical e com autores que estão fora desse campo. Claudel, Osvald, Manuel e Schmidt aparecem como companhias desse percurso, em que a poesia se constrói entre diferentes vozes e leituras.
Para Chaul, os poemas carregam ensinamentos de uma formação cultural ampla. O autor também identifica no livro uma escrita madura, atravessada pelo sofrimento e pelo conhecimento acumulado. A análise relaciona essa produção à atuação de Adalberto como prosador em crônicas de jornais e em textos analíticos.
Entre Goiás e o universal
A identidade goiana ocupa espaço central na leitura. Chaul afirma que, embora Gerardo cante no Ceará, a poesia também floresce em Goiás, estado associado no texto à produção de vinho, à paisagem humana e aos próprios “Cantos”.
A referência à Vila Jaiara aparece como imagem da formação de uma cidade no Cerrado: uma vila que teria dado origem a uma cidade inteira, descrita como uma polis e apresentada no jogo de palavras “AnáPolis”.
Adalberto é retratado como um poeta que combina o local e o universal. Na avaliação de Chaul, o livro funciona como uma orquestra, reunindo sonoridade e encantamento. No encerramento, a expressão “nonada” sintetiza o horizonte dos cantos e das referências que atravessam a obra.
Nasr Fayad Chaul é professor aposentado da UFG, doutor em história pela USP e letrista.








