Rio de Janeiro, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Memórias de famílias inter-raciais atravessam reflexão sobre mestiçagem no Brasil
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Memórias de famílias inter-raciais atravessam reflexão sobre mestiçagem no Brasil

Nilson Jaime relata histórias familiares e defende que alianças étnicas também podem ser marcadas por amor, respeito e convivência duradoura.

PIRenópolis — As histórias de duas gerações da família de Nilson Jaime estão no centro de uma reflexão sobre mestiçagem, relações inter-raciais e memória. O relato acompanha a leitura de História das Mestiçagens no Brasil, organizado pelos historiadores Mary Del Priore e Gian Melo e publicado pela Editora Unesp em 2026.

O bisavô de Jaime, João Gonzaga Jaime de Sá, era considerado branco, mas o autor o identifica como mameluco e dodecaneto do Cacique Tibiriçá. Genearca da família Jaime/Jayme, ele tinha mais de 40 anos quando se casou com Leocádia, sua ex-escravizada, então com 18 anos. O casamento aconteceu depois da viuvez de uma primeira união, que havia gerado nove filhos. Com Leocádia, ele teve 15 filhos, entre eles o avô de Jaime.

A memória do Rio das Almas

Uma professora universitária teria interpretado a relação como resultado de abuso e poder. Em resposta, Jaime recorda um ritual familiar realizado no Rio das Almas, em Meia-Ponte, depois chamada Pirenópolis, ao final do século XIX.

Pela manhã, o comerciante tomava banho com os filhos homens no “pesqueiro”. À tarde, ele e Leocádia frequentavam a “ramalhuda”, também às margens do rio nascido na Serra dos Pireneus. Antes dos mergulhos, o bisavô conduzia saudações à natureza, a Nosso Senhor Jesus Cristo e à esposa. Ao grito de “Viva Leocádia!”, meninos e rapazes respondiam em coro antes de saltar nas águas.

Para Jaime, a mestiçagem pode nascer de amor, respeito e relacionamentos sólidos. Ele ressalva que a violência em relações inter-raciais não deve ser negada, assim como os 350 anos de escravidão, mas afirma ser necessário respeitar as famílias formadas por alianças étnicas.

Na geração seguinte, a mãe de Jaime, branca de olhos verdes, casou-se no final da década de 1950 com o pai dele, preto, neto de ex-escravizada e servidor público. O casal viveu junto até a morte dele, em 1987. Teve 5 filhos, 12 netos e uma dezena de bisnetos e trinetos até o momento.

A história da família também é registrada em Pirenópolis: Humorismo e Folclore, de José Sizenando Jaime, e em Família Jayme: Genealogia e Hhistória, de autoria de Nilson Jaime.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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